Brasileirão 2025 marcou estreia de 4 ‘Riquelmes’
Poucos craques causaram maior fascínio nos torcedores brasileiros quanto o argentino Juan Román Riquelme, ídolo do Boca Juniors entre o fim dos anos 90 e início do 2000. É o que comprova o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e também a Série A do Brasileirão.
A edição de 2025 já marcou a estreia de quatro jogadores batizados em homenagem a Riquelme. Curiosamente, três dos estreantes levam o nome Riquelme Felipe (ou Filipi).
O Riquelme mais experiente é o do Grêmio, Riquelme Freitas dos Santos, meia de 19 anos, que fez 10 jogos no campeonato, ainda sem gols ou assistências.
Riquelme marcou um gol na Sul-Americana contra o Sportivo Luqueño – LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA
O segundo é o meia-atacante Riquelme Felipe Silva de Almeida, de 18 anos, que fez seis jogos pelo Fluminense na Série A, com uma assistência.
Riquelme, jovem cria do Fluminense – Lucas Merçon/Fluminense
O Palmeiras, uma das principais vítimas do Riquelme “original” (leia mais abaixo), também conta com seu representante, que fez dois jogos neste Brasileirão, incluindo a última partida diante do Grêmio. Riquelme Fillipi Marinho de Souza tem 19 anos e é ponta.
Riquelme, do Palmeiras, disputa bola com Marcos Rocha, do Grêmio -Cesar Greco/Palmeiras/by Canon)
Já o Sport conta com um defensor de 18 anos, Riquelme Felipe da Silva de Oliveira, que fez dois jogos neste Brasileirão. Este é o único dos quatro Riquelmes da elite a não ter nascido no Estado de São Paulo (é alagoano de Luziápolis).
Riquelme jogou apenas 21 minutos pelo Sport nesta edição da Série A – Divulgação
IBGE detalha o fenômeno
No início do mês, o IBGE divulgou uma nova plataforma que permite consultar os nomes mais comuns do Brasil. Os dados, baseados no Censo Demográfico de 2022, revelam mais de 124 mil nomes próprios registrados no país — um levantamento que também abre espaço para curiosidades ligadas ao mundo do futebol.
Por motivos de sigilo estatístico, o IBGE não divulga nomes utilizados por menos de 20 pessoas. Ainda assim, alguns padrões chamaram atenção, como o crescimento impressionante do nome Riquelme, praticamente inexistente no país até os anos 2000.
RIQUELME & CIA ????Rikelmy tabelou com Riquelmi, que tocou para Rikelme e foi parado por Riquelmy. Na Copinha Sicredi 2025 as variações de Riquelme são tantas que dava para montar um time completo! #CopinhaSicredi pic.twitter.com/lyvLdVlOkJ
— Copinha (@Copinha) January 3, 2025
O aumento começou a acontecer justamente na década em que o meia argentino encantava o mundo da bola. Entre 2000 e 2009, 12.220 crianças foram registradas com esse nome, e o censo aponta que hoje existem 25.942 Riquelmes no Brasil — a maioria deles no estado de São Paulo, com mais de 3.700 registros. A idade média dos “Riquelmes” é de 12 anos.
Vale lembrar que o levantamento considera apenas a grafia idêntica à do sobrenome do ídolo e atual presidente do Boca Juniors. O IBGE também aponta outras variações, como “Rikelme”, presente em 4.675 registros, entre outras adaptações.
Mas quem foi o Riquelme ‘original’?
Juan Román Riquelme foi um dos maiores meias da história do futebol argentino e ídolo absoluto do Boca Juniors, clube pelo qual conquistou 15 títulos, incluindo três Copas Libertadores (2000, 2001 e 2007). A ligação é tão forte que, aos 47 anos, Riquelme é o atual presidente do clube.
Conhecido pela técnica refinada, visão de jogo e precisão nas bolas paradas, Riquelme é amplamente reconhecido como um dos jogadores mais talentosos de sua geração, ainda que só tenha disputado uma Copa do Mundo (2006) e não tenha brilhado em um grande clube da Europa.
Riquelme jogou profissionalmente entre 1996 e 2014. Assim como Diego Armando Maradona, é cria da base do Argentinos Juniors, clube pelo qual encerrou sua carreira na segunda divisão argentina. Brilhou pelo Boca em duas passagens (1996 a 2002 e 2007 a 2014).
Vendido ao Barcelona sob grande expectativa, teve problemas com o técnico holandês Louis van Gaal e só conseguiu maravilhar a Espanha com sua magia atuando pelo Villarreal, entre 2003 e 2007. Sob seu comando, o time chegou à semifinal da Champions League em 2006 – foi eliminado pelo Arsenal, com Riquelme perdendo um pênalti decisivo.
Pela seleção argentina, disputou a Copa das Confederações de 2005, a Copa do Mundo de 2006, as Copas América de 1999 e 2007 e conquistou o ouro olímpico nos Jogo de Pequim-2008. Era um craque temperamental, que ficou de fora da Copa de 2002 por não conseguir convencer o técnico Marcelo Bielsa, e da de 2010, por desavenças com o técnico Maradona.
Riquelme, do Boca Júniors, em sua atuação mais memorável, na final do Mundial Interclubes de 2000, contra o Real Madrid – Getty Images
No Brasil, o nome Riquelme carrega lembranças marcantes — especialmente para os torcedores do Palmeiras, sua principal “vítima”. O camisa 10 brilhou nas finais da Libertadores de 2000 e demissão de 2001, com atuações memoráveis que selaram sua idolatria e o colocaram de vez no imaginário do torcedor sul-americano.
É de se supor, portanto, que muitos dos pais que o homenagearam sejam corintianos ou são-paulinos. Ou ainda torcedores do Inter, que se alegraram com a emblemática atuação de Riquelme nas finais da Libertadores de 2007, em que o Boca passou facilmente pelo Grêmio. Recentemente, o eterno camisa 10 xeneize foi incluído na seleção histórica da Libertadores.
Riquelme contra César Sampaio, do Palmeiras, no primeiro jogo da final da Taça Libertadores, no Estádio La Bambonera (Ricardo Correa/Placar)
Se foi carrasco dos clubes do Brasil pelo Boca Juniors, Riquelme sofreu frustrações contra a seleção brasileira. Foi derrotado nas Copas América de 1999 e 2007, e também na final da Copa das Confederações de 2005. Mas marcou um de seus gols mais memoráveis diante do Brasil, em triunfo por 3 a 1 da Argentina no Monumental de Núñez, nas Eliminatórias para a Copa de 2006.
Se cumplen 15 años del INVENTE ROMÁN INVENTE.. Golazo de Riquelme a Brasil ???????? pic.twitter.com/RQLiTkt69A
— #RIQUELME2023 (@fotosroman10) June 8, 2020
Mesmo com tantos “Riquelmes”, incluindo alguns jogadores profissionais e em categorias de base espalhados pelo país, é difícil imaginar que surja outro tão talentoso como o original argentino.
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