Análise: finalista da Copa Africana, Marrocos ‘dá aula’ de defesa


Anfitrião da Copa Africana de Nações 2026, o Marrocos tenta o título neste domingo, 18, às 16h (de Brasília), contra o Senegal, no estádio Prince Moulay Abdellah, em Rabat. A partida, que coloca frente a frente duas seleções que entraram no torneio entre as favoritas e estão classificadas para a Copa do Mundo de 2026, pode consagrar a segurança defensiva da seleção marroquina.
Foi com esse estilo de jogo que os marroquinos se provaram pouco mais de três anos atrás, ao chegar na semifinal da Copa do Mundo de 2022. Até a derrota para a França, na semifinal  do torneio, o time treinado por Walid Regragui havia sido vazado apenas uma vez e feito bons resultados controlando sem posse, com segurança defensiva.
Talentosa e badalada a nível continental, a equipe até entregou números ofensivos mais volumosos desde então, especialmente nas Eliminatórias para o Mundial de 2026, competição na qual estreia contra o Brasil, dia 13 de junho.
Marrocos na Copa Africana
A defesa
A campanha marroquina até a decisão da Copa Africana não encanta, mas mostra caráter competitivo. Em seis partidas, o time sofreu apenas um gol, marca coerente com o fato de que concedeu só 3,9 chutes por jogo, a menor média da competição.
Entre essas tentativas contrárias, no total, foram cinco finalizações no alvo, sendo quatro defendidas pelo ótimo goleiro Yassine Bono, do Al-Hilal. A taxa de bolas defendidas, de 80%, não é perfeita apenas pelo gol sofrido contra Mali, na fase de grupos, em cobrança de pênalti.
Curiosamente, defender penalidades é uma especialidade do arqueiro de 34 anos, que garantiu a classificação para a decisão ao salvar duas cobranças da Nigéria, na semifinal.
A solidez defensiva, contudo, não passa apenas por um bom goleiro. Postada como base em um 4-3-3, o time defende em um 4-1-4-1 em bloco médio-baixo. Assim, esse controle nasce da proteção do meio e da curta distância entre as linhas.
Seleção marroquina defende com 4-1-4-1. Em destaque, linha de 4 com dois pontas e dois meias. O primeiro volante, que defende entrelinhas, está com a seta
Marrocos ocupa linhas de passes por dentro, encurta distâncias e empurra o rival para as laterais. O momento de pressionar, então, varia quando o contexto permite, como em momentos em que adversários recebem bolas difíceis, erram domínios ou lateralizam sem apoios próximos. A evidência disso aparece nos 11,7 desarmes a cada 90 minutos, segunda maior marca do torneio.
Gatilho de pressão, nesse lance, foi um domínio de costas, em passe forte e alto. Com a seta apontando, terceiro atleta sobe pressão, adiantando linha
Há, também, um segundo ponto: a largura defensiva. Marrocos, durante a Copa Africana, sofreu 7,8 cruzamentos por jogo, o menor número da Copa Africana. Ou seja, além de se defender bem e evitar chutes, ainda consegue neutralizar espaços que poderiam render cruzamentos perigosos.
O ataque
Com bola, o desenho é um 4-3-3 fluido, que pode partir de ataques rápidos após a recuperação da passe ou atacar de forma mais paciente, com bom uso das beiradas do campo. Chaves desse modelo de ataque são os laterais Noussair Mazraoui e Achraf Hakimi, sendo o segundo mais agudo e considerado o grande nome do plantel.
A dupla de laterais ainda se encontra à frente com dois meio-campistas (Ismael Saibari e Bilal El Khannouss), que se aproveitam das escapadas pelos lados para gerarem triangulações. O mesmo vale para os pontas Brahim Díaz, o artilheiro do torneio, e Abdessamad Ezzalzouli, que, combinados com lateral e meia de seus lados, podem gerar superioridade numérica no corredor.
Triângulo de possíveis interações entre lateral, meia e ponta do mesmo lado. Essa é uma das chaves do jogo ofensivo marroquino – Band/Reprodução
Ou seja, em um momento de ataque mais postado, é comum que Marrocos esteja com os dois zagueiros junto do primeiro volante mais recuados, os dois meio-campistas circulando entre ligação e aproximação, e laterais e pontas buscando se associar. O time usa um centroavante de ofício – que tem sido Ayoub El Kaabi.
Em números, a seleção marroquina tenta 20,8 cruzamentos por 90 minutos, a quinta maior da competição. Ou seja, mostra uma equipe que sabe usar trabalho pelo lado para entrar na área.
Marrocos trabalha com laterais muito ativos na construção, com ultrapassagens em todas fases do ataque. No caso, a seta representa trajetória do passe – Band/Reprodução
Marrocos tem nove gols marcados na Copa Africana de Nações. O número, que não é baixo, todavia evidencia algumas dificuldades, especialmente no que se trata de converter chances, tendo em vista que o time desperdiça em média 2,2 chances claras por jogo, segundo o Sofascore. A partida contra Mali é, inclusive, a que mais expôs fragilidades ofensivas, como a falta de criatividade contra times em bloco mais baixo e pontaria ruim, considerando o 62% de posse da bola, os 398 passes certos e as quatro grandes chances perdidas.
Marrocos na PLACAR
Análise da seleção do Marrocos para a Copa – PLACAR
 
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Carlo Ancelotti é atração de capa da PLACAR 1531, de janeiro de 2026 – Reprodução/Placar
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Fonte Original: Placar