80 anos da Floresta do Araripe: Conheça trilhas que fazem parte da primeira floresta nacional do Brasil

O Mirante do Ninho tem uma trilha com percurso de 550 metros, totalmente adaptada para pessoas com deficiência.
Darlene Barbosa.
Neste dia 2 de maio, a região do Cariri celebra um marco histórico. A Floresta Nacional (Flona) do Araripe-Apodi, a primeira a ser instituída no Brasil em 1946, completa 80 anos. Um dos destaques da floresta é a diversidade de trilhas (confira a lista abaixo)
Com cerca de 38 mil hectares, a Flona abraça as cidades cearenses de Barbalha, Crato, Jardim, Missão Velha e Santana do Cariri. A floresta é administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
A floresta nacional nasceu com uma missão nobre: proteger as fontes de água do semiárido e frear a desertificação. Hoje, é um santuário que atrai olhares do mundo inteiro, sendo o único lar do raro Soldadinho-do-Araripe – uma ave em perigo crítico de extinção.
Floresta Nacional do Araripe completa 79 anos
????♂️ Trilhas que contam histórias (e para todos!)
Com incontáveis trilhas e cerca de 15 mirantes, a Flona se destaca não apenas pela beleza, mas pela inclusão. Confira os destaques:
???? Trilha do Belmonte e Mestre Galdino (Crato)
Com 8.700 metros, esta trilha é um convite à contemplação com diversos mirantes (Belmonte, Saco, Serrano da Pedra Branca e Corujas). É a que dá acesso à Casa Sede do ICMBIO e os mirantes possuem ampla visão da paisagem local.
É dentro do Belmonte que a Trilha Inclusiva Mestre Galdino (150m) ganha destaque, adaptada com linha-guia, objetos sonoros, braille e piso especial. Pessoas com mobilidade reduzida e com deficiência visual podem contemplar a chapada do Araripe sem dificuldades.
O nome foi uma homenagem ao eterno Luiz Galdino de Oliveira, guardião da floresta e mestre da cultura popular, que morreu em 2025. Mestre Galdino dedicou sua vida à preservação dos saberes ancestrais e à valorização da cultura popular. Era referência na condução de trilhas ecológicas e na transmissão de conhecimentos tradicionais da floresta.
Com 8.700 metros, esta trilha é um convite à contemplação com diversos mirantes.
Yuri Alencar.
???? Novo Mirante do Ninho (Crato)
A grande novidade deste aniversário. Um percurso de 550 metros totalmente adaptado para pessoas com deficiência. O mirante possui um tablado octogonal de onde se avista os imponentes paredões da Chapada, o bairro Lameiro e Juazeiro do Norte ao longe.
???? Trilha Mirante do Caldas (Barbalha)
Quem visita o teleférico do Caldas também pode aproveitar para fazer uma trilha curta e acessível (450m), que fica no topo do teleférico, ao lado do borboletário. É equipada com guizos, QR Codes e placas em Libras/braille, garantindo autonomia para todos os públicos.
Trilha do Mirante do Caldas é equipada com guizos, QR Codes e placas em Libras/braille.
Diego Monteiro.
???? Trilha do Picoto (Crato a Barbalha)
Composta por mirantes que mostram a exuberância do Cariri, a trilha é uma jornada de 11 km que atravessa o cerrado caririense de Crato a Barbalha, com umidade de até 60% em mata fechada. No final da trilha em Barbalha está o Cruzeiro do Picoto, também conhecido como Picoto do Arajara.
Diz a lenda que o cruzeiro foi erguido no século XIX por um fazendeiro como agradecimento por sua família ter sido poupada de um surto de cólera. Até hoje, o local recebe celebrações religiosas e culturais em agosto.
No final da trilha em Barbalha está o Cruzeiro do Picoto, também conhecido como Picoto do Arajara.
Yuri Alencar.
???? A Grande Aventura: 1ª Travessia Flona Araripe
Para celebrar as oito décadas, os guias Zé da Hora e Neyson Nascimento decidiram fazer história. Eles desbravaram a 1ª Travessia da Flona, percorrendo cerca de 80 quilômetros em cinco dias.
”O mais desafiador é caminhar com peso, mochila cargueira de mais de 20kg e acampamento. Mas este ano é simbólico demais para não tentarmos. É também uma troca enriquecedora com as comunidades locais, uma troca de experiências”, afirma Zé da Hora.
O trajeto começou em Missão Velha (Sítio Gameleira) e termina no Crato (Belmonte), passando por residências de apoio históricas como as casas da Flores, Santa Rita e Malhada Bonita.
???? Dicas para sua visita:
Respeite o Silêncio: Essencial para observar o Soldadinho-do-Araripe.
Não deixe rastro: Traga seu lixo de volta e preserve as fontes de água.
Valorize o Guia: Acompanhado de profissionais, sua experiência de segurança e conhecimento histórico é muito maior.
Os guias Zé da Hora e Neyson Nascimento percorrem cerca de 80 quilômetros em cinco dias, na 1ª Travessia Flona Araripe.
Reprodução.
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