Fisiculturista preso por espancar médica tem pedido de insanidade mental negado pela Justiça; entenda

Justiça nega alegação de insanidade de fisiculturista que espancou namorada
A Justiça de São Paulo negou o pedido de instauração de incidente de insanidade mental feito pela defesa de Pedro Camilo Garcia Castro, o fisiculturista preso por espancar a namorada médica Samira Mendes Khouri.
????O incidente de insanidade mental está previsto no artigo 149 do Código de Processo Penal e é instaurado quando há dúvida sobre a capacidade mental do acusado. Caso seja aprovado, um exame pericial psiquiátrico é feito para avaliar se o réu era imputável ou inimputável no momento do crime, ou seja, se tinha ou não discernimento suficiente para compreender que o que fez era errado.
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As agressões aconteceram na madrugada de 14 de julho de 2025, em um apartamento alugado pelo casal na capital paulista. O fisiculturista fugiu e foi preso em Santos, cidade onde morava com a mulher. A médica foi internada e só retomou o trabalho após cinco meses em recuperação.
Fisiculturista Pedro Camilo Garcia (à esq.) foi preso após espancar a médica Samira Khouri (à dir.)
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De acordo com a decisão, obtida pelo g1 nesta quarta-feira (27), a defesa do fisiculturista afirmou que, embora já tenha tido o pedido de instauração de incidente de insanidade mental negado anteriormente, a audiência de instrução revelou o comprometimento da saúde psíquica do acusado.
Ainda conforme relatado pela defesa, o fisiculturista demonstrou “um quadro grave associado ao uso abusivo de medicamentos controlados, anabolizantes e ao desenvolvimento de transtorno alimentar severo, especificamente bulimia nervosa”.
Pedido negado
A 4ª Vara do Júri de São Paulo concordou com o Ministério Público, que se manifestou contra o pedido da defesa. A juíza Luiza Torggler Silva afirmou que não existem elementos concretos que coloquem em dúvida a capacidade mental do acusado no momento do crime.
A magistrada acrescentou que a existência de diagnósticos, como transtornos alimentares ou uso de substâncias, não justificam por si só a realização de perícia psiquiátrica. Com isso, o processo segue normalmente.
“Durante o interrogatório, Pedro Camilo Garcia Castro demonstrou total clareza na exposição de sua versão dos fatos, respondendo às perguntas de forma articulada e coerente. Por fim, o pedido, renovado após o encerramento da instrução criminal, não traz elementos inovadores que pudessem alterar o convencimento deste juízo”, destacou a juíza.
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Defesas
A defesa de Pedro não retornou ao g1 até a última atualização desta reportagem. Já a advogada Gabriela Manssur, que representa a médica, ressaltou que a decisão reconhece, de forma técnica e fundamentada, que não há elemento concreto capaz de demonstrar incapacidade do acusado.
“Desde o início do caso, sustentamos que o uso de anabolizantes, medicamentos controlados ou eventual alteração comportamental não pode servir como justificativa automática para afastar a responsabilidade penal em crimes graves praticados contra mulheres, especialmente em casos de tentativa de feminicídio”, afirmou a advogada.
Gabriela acrescentou que a morte só não foi consumada por “circunstâncias extremamente graves e por um verdadeiro milagre”. Ela destacou que a defesa seguirá acompanhando o caso, confiando que os fatos serão reconhecidos pelo Tribunal do Júri.
O caso
Vídeo flagra prisão de fisiculturista durante fuga após espancar a namorada médica
A médica relatou anteriormente que, na madrugada do crime, o então namorado chegou nervoso no apartamento após ter sido expulso de uma balada LGBTQIA+. Ele teria arrumado uma confusão no evento porque sentiu ciúmes de um homem que, segundo Samira, era homossexual.
Já dentro do apartamento, segundo o relato, Pedro deu o primeiro soco e a vítima caiu no chão, onde continuou a ser espancada após perder os sentidos. Ela alega que, em determinado momento, retomou a consciência e percebeu que ainda estava sendo agredida.
A médica decidiu fingir estar desmaiada por medo de ser morta por Pedro. Segundo o depoimento, Samira pensou que se o fisiculturista a estava agredindo daquela forma, achando que ela estava desacordada, poderia fazer pior ao perceber que estava consciente.
As agressões duraram aproximadamente seis minutos e a vítima lembra de Pedro ter dado mais de dez socos após ela acordar. Em seguida, ele fugiu com o celular e o carro de Samira, que disse acreditar que o fisiculturista provavelmente não gostaria que ela fosse socorrida.
Samira Mendes Khouri, de 27 anos, foi espancada pelo ex-namorado Pedro Camilo, de 24, em São Paulo (SP)
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