Conheça Gabriel Brod, o atleta que já partiu em missão humanitária no Haiti vai à caça do ouro no ADCC, na Polônia
Antes de se tornar atleta profissional de Jiu-Jitsu, Gabriel Brod caminhou por uma trajetória versátil em atividades. Faixa-preta de Felipe Pena, referência na Gracie Barra, Brod descobriu a Arte Suave já na maioridade, depois de passar pelo motocross, praticar Muay Thai, servir no Exército e cursar a faculdade de Nutrição. Ele estava diante de variedade de oportunidades, mas o Jiu-Jitsu foi a opção que venceu em termos de carreira.
Nascido em Pelotas, no sul do Brasil, a experiência no Exército foi fundamental para determinar seu futuro como atleta. Foi nesse período que ele entrou em contato com o mundo das Artes Marciais, o Jiu-Jitsu, a princípio por um interesse pelo MMA. No entanto, de acordo com ele, a atividade mais transformadora, que ajudou a moldar de verdade a sua personalidade de lutador, foi uma missão no Haiti, país que atravessa há anos uma grave crise humanitária.
“Se tivesse que escolher uma grande experiência, foi o convívio por alguns meses com integrantes das Forças Especiais do Exército durante uma missão no Haiti. Ali tive algumas das maiores lições sobre resiliência, ser obstinado e acreditar de verdade que posso ser a pessoa que quero ser.”, comentou.
Lembrança da época do Exército: Gabriel Brod partiu em missão ao Haiti. Atleta define a experiência como transformadora. Foto: Arquivo Pessoal
Convite para o Mundial do ADCC, na Europa Central, é um ponto alto na carreira de atleta profissional
Em setembro, Gabriel Brod vai ter a chance de mostrar as suas habilidades como grappler no palco mais prestigiado da modalidade. Recém-campeão brasileiro de Jiu-Jitsu sem kimono, Gabriel vai lutar no evento principal do ADCC, na Polônia. É lá que as maiores lendas do esporte escreveram um capítulo importante de suas histórias.
“Sempre acreditei que poderia estar entre os melhores atletas da minha divisão de peso e receber esse convite foi a materialização do que já acreditava há muito tempo”, disse.
Felipe ‘Preguiça’, o ícone que amarrou a faixa-preta na cintura de Brod, é um desses atletas que fizeram da atuação no ADCC uma vitrine para ganhar ainda mais notoriedade na comunidade do esporte. Eles, que hoje dividem o mesmo camp, vão juntos, cada um em sua divisão de peso, buscar o ouro na Cracóvia. Felipe Pena é o atual campeão da divisão acima de 99kg, enquanto o pupilo vai à caça de um título inédito na carreira, na divisão até 88kg. De acordo com Brod, compartilhar esse momento com ‘Preguiça’ é um privilégio.
“Ser convidado e ter o meu mestre fazendo o mesmo camp comigo é uma experiência única que pouquíssimas pessoas já tiveram a oportunidade de viver. Estou tentando aproveitar ao máximo tudo o que estou vivendo.”, ressaltou.
Respeito às raízes: Gabriel Brod faz do mestre Felipe Pena um exemplo a ser seguido. Foto: Arquivo Pessoal
A divisão até 88kg vai testemunhar a ascensão de um novo campeão; o atleta da Gracie Barra está na briga
A divisão que Gabriel Brod vai atuar sofreu uma baixa importante. Giancarlo Bodoni, que dominou a categoria por duas edições consecutivas, em 2022 e 2024, não vai participar do evento na temporada. Isso não quer dizer que o nível de dificuldade amenizou. Compatriotas de Brod, Pedro Marinho e Gustavo Batista são alguns dos nomes em destaque. No conjunto de estrangeiros, Pawel Jaworski, fenômeno dos ataques de pé que vai lutar confortável em casa, e Nathan Haddad, campeão com autoridade de uma seletiva norte-americana do ADCC, surgem como potenciais candidatos ao ouro.
“Acredito fielmente que se eu estiver bem preparado tenho condições de lutar de igual para igual com qualquer adversário da minha divisão. Acho que um dos meus principais diferenciais como atleta é minha agressividade e intensidade que coloco nas lutas. Pretendo chegar no ADCC com essa vontade e gana de me testar com os melhores ao máximo.”, afirmou.
O faixa-preta natural de Pelotas já conseguiu um título expressivo na temporada. Ele foi campeão brasileiro sem kimono pela CBJJ. Foto: Divulgação / CBJJ
Gabriel Brod foi medalhista de ouro no Brasileiro sem Kimono, torneio organizado pela CBJJ (Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu), em uma edição marcada pela superioridade técnica de atletas gringos em pleno Rio de Janeiro. Os campeões duplos, por exemplo, masculino e feminino, vieram do exterior para competir. Elisabeth Clay e o já citado Pawel Jaworski provaram na prática o porquê do favoritismo. A internacionalização do grappling é uma realidade e os atletas brasileiros que ainda treinam na terra natal precisam estar atentos a esse fenômeno. Para Gabriel Brod, o melhor competidor entre os pesados no Brasileiro No Gi, a tendência é que o Jiu-Jitsu praticado sem pano continue em franco desenvolvimento, sem fronteiras.
“Isso mostra o quanto o Jiu-Jitsu sem kimono vem se tornando um esporte global. Enfrentei dois adversários da América Latina na minha divisão e acredito que quanto mais o tempo passar, mais estrangeiros irão ganhar lugar de destaque no Jiu-Jitsu. Isso é normal já que se trata de um esporte em plena ascensão.”, analisou.
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Fonte Original: Placar






