RH do futuro: por que empresas estão trocando treinamentos tradicionais por metodologias que estimulam criatividade e inovação

Após anos marcados por trabalho híbrido, novas gerações e Inteligência Artificial, especialistas apontam que o desenvolvimento de equipes exige experiências mais colaborativas, como o método LEGO®️ Serious Play®️

Se antes o papel do Recursos Humanos estava concentrado em processos administrativos e treinamentos convencionais, agora o setor ocupa uma posição mais estratégica dentro das organizações, priorizando bem-estar e desenvolvimento da colaboração entre membros de equipes e líderes. Nos últimos anos, a transformação digital, a consolidação do trabalho híbrido, a convivência entre diferentes gerações no ambiente corporativo e a crescente necessidade de inovação foram cruciais para mudar o olhar das empresas, quanto ao desenvolvimento humano, pensando nele de forma mais ampla e estratégica.

Dentro desse contexto, há um aumento do interesse por metodologias capazes de estimular a criatividade, fortalecer a comunicação entre equipes e ampliar a participação dos colaboradores nas tomadas de decisão. Entre essas novas formas de lidar com o RH, está o LEGO®️ Serious Play®️ (LSP), um método que utiliza peças LEGO®️ como ferramenta para facilitar processos de reflexão, resolução de problemas, planejamento estratégico e construção de soluções coletivas.

Para a psicóloga organizacional e facilitadora de LEGO®️ Serious Play®️, Carolina Gama, o crescimento da metodologia acompanha uma mudança importante na forma como as empresas entendem o papel do RH.”O RH deixou de ser apenas um setor voltado para processos e passou a atuar como um parceiro estratégico do negócio. O desenvolver competências como criatividade, colaboração, pensamento crítico e comunicação é tão importante quanto investir em tecnologia. O LEGO®️ Serious Play®️ contribui justamente para esse desenvolvimento ao criar um ambiente em que todas as pessoas participam da construção das soluções”, afirma a especialista.

Apesar do uso das peças ser relacionado ao universo infantil, a metodologia foi desenvolvida para o ambiente corporativo e atualmente é utilizada por organizações em diversos países para apoiar processos de inovação, desenvolvimento de lideranças, planejamento estratégico e resolução de desafios complexos.

Carolina foi a primeira profissional a trazer ao Espírito Santo um dos criadores da metodologia e segue entre as poucas facilitadoras certificadas no estado.

Segundo a psicóloga, a origem do método está diretamente ligada a um momento de transformação vivido pela própria LEGO®️ na década de 1990. “A metodologia LEGO®️ Serious Play®️ nasceu quando a LEGO enfrentava um grande desafio de mercado. As crianças começaram a trocar os blocos de montar pelos videogames, e a empresa percebeu que precisava reinventar sua forma de pensar”, salienta.

A especialista conta que foi durante  processos internos de planejamento estratégico, que a Lego percebeu que ferramentas tradicionais, como reuniões e análises convencionais, não conseguiam representar todo o potencial criativo das pessoas. “A partir dessa necessidade, pesquisadores e executivos desenvolveram uma metodologia baseada na construção de modelos tridimensionais para estimular novas formas de reflexão, colaboração e tomada de decisão”, explica.

Para Carolina, a abordagem transformou a maneira como a empresa aproveitava o conhecimento de seus próprios colaboradores.”A grande inovação foi envolver pessoas de todos os níveis hierárquicos, da operação à alta liderança, em ambientes de cocriação. Essa inteligência coletiva ajudou a impulsionar novas ideias e estratégias que contribuíram para a evolução da própria marca LEGO®️, mostrando que boas soluções surgem quando diferentes perspectivas são valorizadas”.

Muito além dos treinamentos tradicionais

Com equipes cada vez mais diversas e desafios que exigem respostas rápidas, especialistas apontam que os modelos tradicionais de treinamento já não conseguem atender sozinhos às necessidades das organizações.

Enquanto palestras e apresentações costumam privilegiar a transmissão de conteúdo, metodologias experimentais colocam os participantes como protagonistas do processo de aprendizagem.”Quando as pessoas constroem modelos para representar suas ideias, elas conseguem organizar pensamentos, compartilhar percepções e enxergar problemas sob diferentes perspectivas. Isso torna as conversas mais profundas e gera maior engajamento de todo o grupo”, pondera Carolina.

Durante uma sessão de LEGO®️ Serious Play®️, os participantes recebem desafios relacionados à realidade da empresa e utilizam peças LEGO®️ para construir modelos tridimensionais que representam ideias, desafios, oportunidades e possíveis soluções. Em seguida, cada participante apresenta sua construção e explica seu significado, promovendo um ambiente em que todos têm espaço para contribuir.

Neurociência por trás dos blocos

Apesar da aparência lúdica, o método possui fundamentos científicos ligados à neurociência, à aprendizagem experiencial e à cognição.

De acordo com a facilitadora do método, grande parte dessa eficácia está relacionada à conexão entre cérebro e mãos.”Uma parte significativa do córtex cerebral está envolvida no controle dos movimentos das mãos e no processamento das informações sensoriais vindas delas. Por isso, atividades manuais estimulam diferentes áreas do cérebro ligadas à criatividade, à memória e à resolução de problemas”.

Para a psicóloga, essa característica explica por que muitas pessoas vivenciam experiências marcantes durante os workshops.”É comum que participantes se emocionem ao longo das dinâmicas porque acabam acessando um potencial criativo que, muitas vezes, estava pouco explorado. O modelo construído funciona como uma representação concreta do pensamento e facilita a expressão de ideias, sentimentos e percepções que seriam difíceis de verbalizar apenas com palavras”,

Outro fator que impulsiona a adoção de metodologias colaborativas é a busca por ambientes de trabalho mais seguros do ponto de vista psicológico. Empresas têm percebido que a inovação depende da capacidade das equipes de compartilhar ideias sem receio de julgamentos. Diante disso, o método favorece justamente esse tipo de ambiente.

Para a psicóloga, em um mercado marcado por mudanças constantes, investir em metodologias que promovam inteligência coletiva deixou de ser um diferencial para se tornar uma necessidade competitiva.

“As empresas perceberam que os melhores resultados surgem quando diferentes perspectivas são ouvidas e transformadas em soluções construídas coletivamente. Mais do que estimular a criatividade, o LEGO®️ Serious Play®️ ajuda as organizações a desenvolver equipes mais conectadas, colaborativas e preparadas para lidar com a complexidade do mundo do trabalho”, finaliza a especialista Carolina Gama.

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Carolina Gama