Carro no RJ tem quase 4 vezes mais chance de ser roubado que a média do país, aponta anuário


Rio está entre os estados em que número de homicídios aumentou
Ter um carro roubado no Rio de Janeiro continua sendo um risco muito maior do que no restante do país. Embora o número absoluto de roubos de veículos tenha caído 21% no estado em 2025, um levantamento do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostra que, proporcionalmente ao tamanho da frota, o Rio segue com a maior taxa de roubos do Brasil.
Foram 305,3 roubos para cada 100 mil veículos emplacados, índice quase quatro vezes superior à média nacional, de 80,9 casos por 100 mil veículos.
O levantamento, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), utiliza dados do Ministério da Justiça, dos institutos estaduais de segurança pública e das polícias civis e militares.
São Paulo, estado com a maior frota do país e que tradicionalmente registra elevado número absoluto de ocorrências, tem taxa de 70,8 roubos por 100 mil veículos, menos de um quarto da registrada no Rio.
Ranking de roubos de veículos (taxa por 100 mil veículos):
Rio de Janeiro: 305,3
Pernambuco: 299,3
Paraíba: 245,0
Brasil: 80,9
São Paulo: 70,8
Roubo de celulares cresce só no Rio
O Anuário também aponta que o Rio foi o único estado brasileiro a registrar aumento nos roubos de celulares em 2025.
Enquanto o país teve queda de 18,6% nesse tipo de crime, o estado registrou alta de 19,4%.
Quando são considerados juntos roubos e furtos de celulares, apenas Rio de Janeiro e Paraíba apresentaram crescimento. No Rio, o aumento foi de 22,7%.
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Mortes violentas sobem na contramão do país
Mortes violentas intencionais aumentaram 2,1% no RJ, diz Anuário de Segurança Pública
O estudo também mostra que o Rio esteve entre os sete estados brasileiros onde cresceram as mortes violentas intencionais em 2025.
Rio Grande do Norte (19,6%)
Rondônia (7,5%)
Acre (6,3%)
Roraima (5,8%)
Distrito Federal (5,8%)
Mato Grosso do Sul (4,9%)
Rio de Janeiro (2,1%)
O indicador reúne homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte, mortes decorrentes de intervenção policial e policiais mortos.
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a Operação Contenção, realizada no Complexo da Penha em outubro do ano passado, teve impacto decisivo nesse resultado.
A ação terminou com 122 mortos, incluindo cinco policiais, e foi apontada pelo estudo como a operação policial mais letal já registrada no país.
De acordo com o coordenador de Estado e Crime Organizado do Fórum, Leonardo Silva, as 117 mortes decorrentes de intervenção policial registradas na operação representam 2% de todas as mortes por intervenção policial ocorridas no Brasil em 2025 e 15% do total registrado no estado do Rio durante todo o ano.
Ainda segundo o pesquisador, sem essa operação o Rio não teria registrado aumento nas mortes provocadas por policiais em relação ao ano anterior.
Outro dado destacado pelo Anuário é que uma em cada cinco mortes violentas intencionais registradas no estado foi causada por intervenção policial. As mortes decorrentes da ação das forças de segurança responderam por 20,5% de todas as mortes violentas intencionais no Rio.
Policiais mortos aumentam 82%
Estado do Rio de Janeiro registrou, no ano passado, o maior aumento do país nas mortes violentas intencionais de policiais
Reprodução/ TV Globo
O Rio também lidera o país em número absoluto de policiais civis e militares mortos. Em 2024, foram 28 agentes assassinados. Em 2025, o número subiu para 51, um aumento de 82,1%.
O RJ passou São Paulo (30 mortes em 2025) e é o estado com maior número de policiais mortos. O levantamento considera assassinatos tanto em serviço quanto fora dele.
Latrocínios e roubos de carga caem
Nem todos os indicadores pioraram. Os casos de latrocínio — roubo seguido de morte — caíram 22,2% no Rio, desempenho melhor que a média nacional, onde a redução foi de 16,5%.
Também houve queda de 9,4% nos roubos de carga. O Rio ficou entre os 14 estados que registraram redução desse tipo de crime.
Feminicídios permanecem em patamar elevado
O número de feminicídios permaneceu praticamente estável no estado. Foram 107 mulheres assassinadas em 2024 e 105 em 2025.
Para a diretora executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, o principal desafio não é criar novas leis, mas garantir que as políticas já existentes sejam efetivamente implementadas.
Segundo ela, o Brasil possui uma das legislações mais avançadas do mundo para proteção das mulheres, mas ainda há um grande desafio na oferta de estrutura, equipes e recursos para acolher vítimas de violência e fazer cumprir medidas protetivas.
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Fonte Original: G1