​Inverno e asma colocam milhares de capixabas em alerta

Dia Nacional de Controle da Asma e chegada da estação mais fria do ano reforçam a importância da prevenção e do acompanhamento médico para evitar crises respiratórias

A chegada do inverno costuma mudar a rotina das famílias capixabas. Janelas permanecem fechadas por mais tempo, ambientes ficam menos ventilados e as temperaturas mais baixas favorecem a circulação de vírus respiratórios. Para quem convive com a asma, uma das doenças respiratórias crônicas mais comuns do país, esse cenário pode representar um período de maior risco para o agravamento dos sintomas.

Não por acaso, o Dia Nacional de Controle da Asma, lembrado em 21 de junho, ocorre justamente na época em que a estação mais fria do ano começa a se estabelecer. A data chama a atenção para uma condição que afeta crianças e adultos e que, quando não controlada adequadamente, pode comprometer a qualidade de vida e levar a atendimentos de urgência.

Segundo a pneumologista e especialista em medicina do sono Jéssica Polese, o inverno reúne uma combinação de fatores que favorece o desencadeamento de crises. Além do ar mais frio e seco, as pessoas tendem a permanecer por mais tempo em locais fechados, aumentando a exposição a vírus, poeira, ácaros e outros agentes capazes de irritar as vias respiratórias.

“A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas. Muitas vezes o paciente passa períodos sem sintomas e acredita que está bem, mas a inflamação continua presente. Durante o inverno, alguns gatilhos ficam mais frequentes e isso pode favorecer o aparecimento de crises, principalmente quando não existe acompanhamento adequado”, explica.

A médica ressalta que nem toda piora respiratória deve ser atribuída apenas às mudanças climáticas. Tosse persistente, chiado no peito, sensação de aperto torácico, falta de ar e cansaço durante atividades simples são sinais que merecem atenção, especialmente quando passam a fazer parte da rotina.

“Muitas pessoas acabam normalizando sintomas respiratórios porque acreditam que são consequências naturais do frio. Quando esses sintomas se tornam recorrentes ou começam a limitar as atividades do dia a dia, é importante procurar avaliação médica para investigar a causa e definir o tratamento mais adequado”, afirma.

Entre os cuidados recomendados para o período estão a manutenção dos ambientes ventilados, a redução do acúmulo de poeira dentro de casa, a hidratação adequada e a atualização da carteira de vacinação. O controle da doença também passa pelo uso correto das medicações prescritas e pelo acompanhamento regular com o especialista.

Outro ponto frequentemente negligenciado, segundo Jéssica, é a qualidade do sono. Embora seja lembrado principalmente por seu papel no descanso, o sono exerce influência direta sobre o funcionamento do sistema imunológico e sobre processos inflamatórios do organismo.

“O sono adequado contribui para o equilíbrio do sistema imunológico e para a recuperação do organismo. Quando ele está comprometido, o corpo pode se tornar mais vulnerável a infecções e a processos inflamatórios que acabam impactando também a saúde respiratória”, destaca.

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