Dia dos Pais: “O maior presente de um pai empresário é dar ao filho a liberdade de escolha”, afirma especialista em gestão empresarial

Fabio Junger alerta para as armadilhas da sucessão familiar obrigatória e defende a governança para proteger negócios e relações familiares

É muito bom ter os filhos por perto também no trabalho. Mas há que se respeitar a liberdade de escolhas. Quando isso ocorre sem a pressão da sucessão é um deleite, principalmente para os pais. Ali, no terreno profissional, torna-se um lugar seguro para eles trocarem com a nova geração e influenciar com a experiência.

O Dia dos Pais é tradicionalmente marcado por homenagens e celebrações da união familiar, mas no universo corporativo a data costuma trazer à tona um dilema silencioso e complexo: a pressão pela sucessão executiva. Para o empresário e especialista em governança corporativa Fabio Junger, um dos erros mais frequentes e nocivos cometidos por pais fundadores é encarar os filhos como executivos obrigatórios do negócio familiar.

De acordo com o especialista, o desejo legítimo de perpetuar a empresa muitas vezes cega os pais para as reais vocações, talentos e competências da próxima geração. “Criar filhos para suceder o pai no comando da operação por puro dever de ofício é uma armadilha perigosa que adoece as relações familiares e liquida a competitividade das empresas no mercado”, afirma Junger.

A saída para resolver o impasse entre o afeto e a gestão está na profissionalização do negócio e na separação clara entre as figuras de herdeiro, acionista e executivo. Fabio Junger já trabalhou com seu pai, Francisco Junger, na Emec na década de 90, onde permaneceu até 2020. Atualmente, Fabio abriu sua empresa, a Emec Incorporadora, e trabalha com seu filho, Fabio Augusto Junger.

Nesse contexto, na sucessão empresarial, os filhos podem ser preparados para atuar como acionistas conscientes e participar ativamente do Conselho de Administração, sem a obrigação de assumir cargos executivos na operação diária. Essa estrutura de governança permite que o patrimônio continue protegido e rentável sob uma gestão profissional, libertando a próxima geração para seguir suas próprias trajetórias profissionais com segurança.

Fabio Junger destaca que a verdadeira demonstração de afeto paternidade-gestão está no respeito ao futuro dos filhos. “O amor de pai é incondicional, enquanto a gestão de uma empresa precisa ser estritamente condicional e pautada por entregas e competência técnica. Quando o pai entende que a governança serve para dar aos filhos o poder de escolha, ele não está afastando a família do negócio, mas oferecendo a ela o maior presente possível: a liberdade sustentada por um legado seguro”, ressalta.

Dia dos Pais: “O maior presente de um pai empresário é dar ao filho a liberdade de escolha”, afirma especialista em gestão empresarial

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