Ativista Joshua Wong é condenado a 10 anos de prisão em Hong Kong


O líder estudantil adolescente de Hong Kong, Joshua Wong, à esquerda, está em frente a guarda-chuvas amarelos do lado de fora de um tribunal de magistrados em Hong Kong, em 2 de setembro de 2015.
Vincent Yu/AP
O proeminente ativista de Hong Kong Joshua Wong foi condenado nesta quinta-feira (5) a 10 anos de prisão por sua segunda condenação com base em uma lei de segurança nacional imposta por Pequim, em um caso que, segundo críticos, reflete a repressão ao movimento pró-democracia da cidade, que já foi bastante ativo.
Wong foi acusado em 2025 de conspiração para se aliar a forças estrangeiras com o objetivo de colocar em risco a segurança nacional, segundo a lei. Em setembro, ele se declarou culpado do crime, uma medida que normalmente pode reduzir a pena.
O ativista, de 30 anos, já cumpre uma pena de quatro anos e oito meses de prisão pelo maior caso de segurança nacional da cidade, relacionado a uma eleição primária não oficial, depois de ter se declarado culpado também naquele processo. Antes de ser processado pela acusação relacionada à conspiração, a expectativa era que Wong fosse libertado em janeiro de 2027.
O juiz William Tam afirmou durante a audiência de sentença que o crime cometido por Wong era de natureza grave e rejeitou a alegação de que seu papel havia sido limitado.
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Ele também disse que considerou inicialmente uma pena de 13 anos de prisão, mas a reduziu devido à confissão de culpa de Wong.
Wong aparentava estar calmo e agradeceu a seus apoiadores antes de deixar o tribunal. Seus apoiadores acenaram para ele, e Tiffany Chin, ex-integrante do já extinto Scholarism, que já foi liderado por Wong, chorou.
O juiz afirmou que Wong poderá cumprir as duas penas de prisão simultaneamente. Restam apenas cerca de dois meses da pena referente à condenação anterior por segurança nacional.
A moradora ET Wong afirmou que, quando Joshua Wong era apenas adolescente, já tinha uma “visão ampla” que talvez nem alguns adultos tivessem. Segundo ela, ele percorreu um caminho difícil pelo futuro de Hong Kong, pelos direitos humanos e pelo movimento estudantil.
“Pelo menos para mim, ele não deveria ter passado um único dia preso injustamente”, afirmou.
Condenações de Wong são vistas como forma de desencorajar dissidência
Hong Kong já teve uma sociedade civil livre e dinâmica, marcada por intensos movimentos de protesto e por uma imprensa vibrante. Mas, depois que um movimento contra o governo abalou a cidade em 2019, as autoridades reduziram as opções dos eleitores nas eleições e prenderam muitos dos principais ativistas. Alguns veículos de imprensa conhecidos por reportagens críticas ao governo fecharam, e dezenas de organizações da sociedade civil foram dissolvidas.
Observadores afirmam que a condenação de Wong mostra a determinação das autoridades em manter ativistas de destaque presos pelo maior tempo possível, desestimulando ainda mais o ativismo da sociedade civil.
“As acusações com base na Lei de Segurança Nacional podem ser usadas repetidamente como arma para manter um determinado preso político na cadeia, caso o governo considere necessário”, afirmou Eric Lai, pesquisador do Centro de Direito Asiático da Universidade Georgetown, referindo-se à legislação.
Pequim, porém, considera Wong uma figura antichinesa que apoia a independência de Hong Kong, posição que ultrapassa uma linha vermelha para o governo chinês. As autoridades de Hong Kong também afirmam que a lei de segurança é fundamental para a estabilidade da cidade após os protestos de 2019 e sustentam que as ações das forças de segurança foram baseadas em evidências.
Acusação destaca atuação de Wong em lobby e defesa de causas
A acusação havia alegado anteriormente que Wong e o também ativista Nathan Law concordaram, por volta de 2016, em fazer lobby internacional para alcançar o objetivo de autodeterminação democrática. Segundo os promotores, antes da implementação da lei de segurança, os dois pediam sanções e outras medidas contra Hong Kong e a China. A acusação citou encontros de Wong com políticos americanos, como Nancy Pelosi e Marco Rubio, em 2016 e 2019.
Depois que a lei entrou em vigor, Law e outros ativistas avançaram nesse trabalho no exterior, reunindo-se com políticos estrangeiros e promovendo abaixo-assinados, segundo a acusação. Wong teria apoiado a iniciativa a partir de Hong Kong, utilizando veículos de comunicação estrangeiros e redes sociais para chamar a atenção de outros países e reforçar pedidos de sanções, bloqueios ou outras medidas hostis contra a China e Hong Kong.
O advogado de Wong, Derek Chan, havia pedido anteriormente ao tribunal que aplicasse uma pena que desse alguma esperança a seu cliente. Ele acrescentou que Wong deseja cuidar dos pais depois de ser libertado.
Amigos disseram que, durante os quase seis anos em que esteve preso, Wong continuou lendo livros e se exercitando, aprendeu sozinho a tocar violão e amadureceu sua forma de pensar.
Para seus apoiadores, Wong é uma estrela política que representa uma geração mais jovem, nascida nos últimos anos do domínio colonial britânico sobre Hong Kong, antes da devolução da cidade à China em 1997.
Apesar de estar atrás das grades, a influência de Wong aparentemente continuou sendo uma preocupação, pelo menos para o campo pró-Pequim.
Em setembro, uma reportagem de um jornal pró-Pequim criticou um documentário de 2017 sobre Wong disponível na Netflix por “embelezar” seus crimes. O departamento de segurança da cidade informou à imprensa local que o governo estava tomando providências sobre o caso.
O documentário, porém, chegou posteriormente ao topo do ranking de popularidade da Netflix em Hong Kong.

Fonte Original: G1