Bom momento dos EUA na Copa quebra recordes e causa comoção no país


“Amigos, fiquem calmos, o que vocês estão vendo com a seleção masculina de futebol dos Estados Unidos não é uma alucinação”. A frase que circulou em Seattle como uma brincadeira local, em alusão aos efeitos do uso da maconha – legalizada no estado de Washington para fins medicinais e recreativos -, traduz o sentimento de milhares de americanos nesta Copa do Mundo.
O bom início do país no torneio – com duas vitórias, seis gols marcados e apenas um sofrido -, criou um clima incomum de euforia, acolhimento e comoção com o soccer jamais visto antes na história. Só se fala em futebol.
“Eu assisti pouco ao time americano até o momento, mas sabe o que é engraçado? É que estou sendo pego pela febre da Copa do Mundo, assim como muitos americanos. Não é só por causa do desempenho do time, mas por ver todas essas pessoas vindo para os Estados Unidos, vivenciando o país e compartilhando suas experiências nas redes sociais. É uma energia tão positiva e divertida, que contrasta com o que tem sido a sensação de ser americano nos últimos anos. Estivemos muito divididos”, disse à PLACAR o psicólogo Anthony Ward, de 42 anos.
No Lumen Field, em Seattle, mais de 66 mil torcedores acompanharam a segunda vitória americana – Stephan Brashear/EFE
“Recebemos isso como uma injeção de ânimo, foi como um antídoto. Temos parado para ver e nos permitido dizer: ‘ei, gostamos disso’. As pessoas também estão vendo a América pelo que ela realmente é, e não pelo que passa na TV, certo? Não aquele estereótipo dos filmes… Por isso, vou torcer muito. Tem sido realmente muito divertido e bom para nós”, completou.
A estreia dos Estados Unidos na competição, vencida por 4 a 1 diante do Paraguai, em Los Angeles, tornou-se o jogo de futebol mais assistido da história americana. Foram 27,5 milhões de espectadores registrados, contabilizadas as transmissões em inglês pela Fox (que alcançou 18 milhões) e pela Telemundo (que atingiu mais 9,5 milhões em espanhol).

FOX sets the record for the most-watched FIFA Men’s World Cup telecast in U.S. history. pic.twitter.com/bpG0HB99tN
— FOX Sports (@FOXSports) June 16, 2026

Há dois dias, a vitória por 2 a 0 contra a Austrália, em Seattle, fez a equipe disparar na liderança do Grupo D com seis pontos e assegurar a classificação antecipada para o mata-mata. O triunfo também inflacionou os ingressos para as possíveis partidas que os Estados Unidos possam jogar nas oitavas e nas quartas de final: os valores mínimos já superam 3 mil dólares (cerca de R$ 15,4 mil pela cotação atual).
Na Fan Fest de Houston, em Downtown – centro nervoso da cidade no Texas -, o espaço com telões dedicado para os torcedores acompanharem a partida ficou praticamente lotado. O evento contou também com a presença de holandeses e suecos, que jogariam no dia seguinte, além de torcedores de diversas outras nacionalidades.
Fan Fest em Houston, no Texas, tem ficado cheia em jogos dos Estados Unidos – Klaus Richmond/Placar
Após a partida, o rapper Trae tha Truth, nativo de Houston, subiu ao palco em clima de festa e sob os gritos de “USA, USA, USA”. Nem mesmo a alta temperatura de 92 graus Fahrenheit (33 graus Celsius), com sensação térmica acima dos 40 graus Celsius, afastou o público. Embora a área do palco principal fosse coberta por uma estrutura de sombra, grande parte da Fan Fest continuou exposta ao sol.
“Espero que eles cheguem mais longe do que nunca. Veremos o que acontece com os Estados Unidos neste momento, mas estou torcendo para, pelo menos, chegarmos às quartas, se não às semis. Isso seria especial”, analisou um torcedor que aproveitava a festividade.
A nova euforia americana também ganhou os ares. Os 65 passageiros do voo 6324 da American Airlines, que fazia a rota entre Los Angeles e Seattle, foram surpreendidos com a distribuição de camisas e produtos oficiais dos Estados Unidos pela companhia aérea. Imagens do interior da aeronave e da reação dos passageiros viralizaram nas redes sociais.

 

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Em campo, nota-se uma seleção não feita apenas de americanos nativos, mas de jogadores com fortes raízes familiares em outros países. De acordo com um levantamento da revista Newsweek, 12 dos 26 convocados possuem origens imigrantes ou diaspóricas ligadas a oito nações diferentes.
Também pesa – e muito 0 para o novo elo construído entre torcedores e equipe o envolvimento sentimental do técnico argentino Maurício Pochettino. No cargo desde 2024 e contestado em alguns momentos, Pochettino não escondeu a emoção quando teve seu nome cantado por mais de 70 mil torcedores durante uma entrevista à Fox: “é incrível todos esses nossos torcedores“.
“Ele é muito apaixonado na maneira como fala. Nós absorvemos essa paixão e tentamos aplicá-la em nosso jogo”, elogiou o zagueiro Chris Richards.
Durante a competição, um fato curioso: o treinador ganhou ainda mais popularidade pelas semelhanças com o ator vencedor do Oscar, Russell Crowe. “Mauricio Pochettino se transformou misteriosamente em Russell Crowe”, publicou o comentarista James Melville no X.

Mauricio Pochettino has mysteriously turned into Russell Crowe. #USAAUS pic.twitter.com/tPsLL2thiv
— James Melville ???? (@JamesMelville) June 19, 2026

Antes de estrear, os Estados Unidos haviam disputado 37 partidas no maior torneio do planeta em toda a sua história, com apenas nove vitórias acumuladas – e apenas uma delas por mais de um gol de diferença. Uma marca negativa que já foi duplamente quebrada logo nesta edição.
Potência olímpica e acostumados a muitos grandes feitos os outros esportes, os americanos agora também sonham no futebol.
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Fonte Original: Placar