Café invade quadras e até o céu do ES, ganhando novo espaço no estilo de vida do capixaba

O café, tradicionalmente associado ao consumo cotidiano, começa a ganhar novos espaços e significados ao se integrar a experiências ligadas ao esporte e ao bem-estar. Em ambientes como quadras de areia, pistas de corrida e até atividades radicais, a bebida passa a compor um estilo de vida ativo, acompanhando uma mudança no comportamento do consumidor. Na Grande Vitória, esse movimento já se traduz em iniciativas que conectam marcas de café a espaços esportivos. Parcerias entre o Café Raízes e a Arena Dois Zero Dois, voltada a modalidades como futevôlei, vôlei de praia e beach tennis, além de ações com a Skydive ES, a primeira escola de paraquedismo do Espírito Santo, mostram como o produto pode ser inserido de forma estratégica em contextos urbanos, ampliando sua presença para além do consumo tradicional.

Sem um formato fixo, as ativações se adaptam a diferentes públicos e dinâmicas, mas mantêm em comum a proposta de inserir o café como parte da experiência. Seja em ações pontuais ou permanentes, o Café Raízes, a Skydive ES e a Arena Dois Zero Dois ilustram esse novo posicionamento. Na Skydive, a marca de cafés especiais foi vista por quem estava em terra firme, e o café foi oferecido aos participantes do voo, que, antes dos saltos, receberam a bebida em canecas personalizadas. Já na Arena, o tradicional cafezinho é oferecido pela manhã aos alunos, resgatando a memória afetiva do consumo logo cedo e associando a marca ao momento das aulas. Além disso, nos campeonatos, a marca aparece em banners, camisas e brindes, afinal, o café combina com movimento, saúde e bem-estar.

Nesses ambientes, a bebida deixa de ocupar um papel secundário e passa a integrar momentos de socialização e pausa dentro da prática esportiva. Para o analista de mercado do agronegócio Matheus Magalhães e sócio-diretor da marca, esse movimento reflete uma transformação mais ampla no perfil do consumidor, que busca cada vez mais experiências associadas à saúde, ao lazer e à convivência.

“São locais onde a energia é alta, o contato humano é próximo e o café entra como parte natural desse ecossistema. Esses eventos não seguem um formato fixo. São diversas ativações, em diferentes projetos e contextos, em que o café faz parte da rotina das pessoas que participam das modalidades esportivas nesses ambientes”, destaca o analista.

Segundo Magalhães, esse movimento também dialoga com a relevância econômica do café no Espírito Santo. De acordo com ele, o Estado está entre os maiores produtores de café do Brasil, com destaque para o conilon, e responde por cerca de 70% da produção nacional dessa variedade. A cafeicultura capixaba envolve aproximadamente 60 mil propriedades rurais, tem forte presença da agricultura familiar e figura entre as principais atividades do agronegócio estadual, com impacto direto na geração de emprego e renda.

Do ponto de vista econômico, a aproximação entre café, esporte e experiências urbanas ainda representa um mercado em desenvolvimento, mas já sinaliza potencial estratégico, especialmente para o segmento de cafés especiais. Ao participar de eventos e ativações, marcas e produtores conseguem agregar valor ao produto, fortalecer sua identidade e criar novas formas de conexão com o consumidor. Esse movimento contribui para reduzir a dependência do mercado de commodities e ampliar as possibilidades de diferenciação ao longo da cadeia produtiva.

“No Espírito Santo, o cenário é especialmente promissor. Para os pequenos produtores e marcas regionais, o impacto pode ser ainda mais significativo. Ao participar dessas iniciativas, eles conseguem encurtar a distância até o consumidor final. A combinação entre tradição no campo e um ambiente urbano cada vez mais aberto a experiências cria um terreno fértil para esse novo mercado”, conclui.

Café invade quadras e até o céu do ES, ganhando novo espaço no estilo de vida do capixaba