Casal cria terrários inspirados nos orixás e alcança faturamento de R$ 100 mil por mês

De um terrário na Paulista a um negócio que faturou R$ 100 mil em um mês
Quando deixaram Florianópolis para começar uma nova vida em São Paulo, Edu Santana e Will Souza precisavam encontrar uma forma de gerar renda.
A resposta veio de um hobby que acabou se transformando em negócio: os terrários, pequenos ecossistemas montados dentro de recipientes de vidro que reproduzem paisagens em miniatura.
O que começou como uma atividade artesanal ganhou identidade própria quando os empreendedores passaram a criar terrários inspirados nos orixás.
A combinação entre natureza, arte e elementos simbólicos abriu espaço para um nicho pouco explorado e se tornou o principal motor de crescimento da empresa.
“O nosso planeta dentro do vidro.” É assim que Edu define os terrários produzidos pelo estúdio.
Arquiteto e designer de interiores de formação, ele encontrou na atividade uma forma de unir criatividade, paisagismo e trabalhos manuais.
Mas, desde o início, tinha uma regra: não queria reproduzir modelos já existentes. Cada peça precisaria carregar sua assinatura artística.
Os primeiros clientes surgiram de forma simples, ainda entre vizinhos. Pouco depois, a dupla decidiu enfrentar a timidez e testar a aceitação do produto na Avenida Paulista, um dos principais cartões-postais da capital paulista.
Com cerca de 25 terrários no porta-malas, venderam aproximadamente dez unidades no primeiro dia. O investimento inicial de R$ 450 foi recuperado imediatamente.
“A gente demorou para ir para a Paulista por medo, por vergonha, por receio”, conta Will. “Mas empreender é isso. O medo sempre vai existir. A diferença é deixar a coragem falar mais alto.”
Casal cria terrários inspirados nos orixás e alcança faturamento de R$ 100 mil por mês
Reprodução/PEGN
Nicho impulsionou crescimento
A virada de chave aconteceu quando clientes começaram a pedir representações de orixás dentro dos terrários. Em vez de tratar o tema apenas como produto, a empresa decidiu apostar no aspecto artístico das peças.
“Hoje somos especializados nos terrários dos orixás. Nossa grande virada como negócio aconteceu exatamente por causa deles”, afirma Will.
Segundo ele, a venda foi consequência do encantamento gerado pelas histórias e pelo trabalho artesanal apresentado nas redes sociais. O posicionamento ajudou a empresa a se diferenciar em um mercado competitivo.
Atualmente, além dos terrários, o estúdio comercializa miniaturas avulsas, oferece cursos e produz peças personalizadas a partir de fotos enviadas pelos clientes, criando um ecossistema de produtos e serviços.
Hoje, a operação que começou dentro de um apartamento reúne sete pessoas e produz cerca de 300 terrários por mês. O tíquete médio das peças é de R$ 175, e o faturamento mensal já atingiu a marca de R$ 100 mil em períodos de pico.
Casal cria terrários inspirados nos orixás e alcança faturamento de R$ 100 mil por mês
Reprodução/PEGN
Conteúdo virou ferramenta de vendas
Outro fator decisivo para o crescimento foi a produção de conteúdo. Segundo os empreendedores, 98% das vendas acontecem online, e as redes sociais são o principal canal de relacionamento com o público.
“Quando entendemos que não éramos apenas um negócio de terrários, mas também produtores de conteúdo, tudo mudou”, diz Will.
A estratégia consiste em contar histórias por trás das peças, mostrar os bastidores da produção e acompanhar tendências que possam dialogar com o público. Foi assim que nasceu uma das ações de maior repercussão da marca.
Inspirado pelo lançamento de um álbum de Anitta, Edu criou miniaturas baseadas no universo visual da cantora e as incorporou aos terrários. Os vídeos viralizaram nas redes e chegaram à própria artista, que interagiu com o conteúdo.
Casal cria terrários inspirados nos orixás e alcança faturamento de R$ 100 mil por mês
Reprodução/PEGN
Logística foi desafio para escalar
Com a demanda crescendo, surgiu um obstáculo importante: como enviar um produto frágil, feito de vidro e plantas, para todo o país.
Durante três anos, as vendas ficaram restritas a São Paulo. A solução veio após diversos testes de embalagem, que resultaram em um sistema de proteção com plástico-bolha e caixas reforçadas.
O novo método permitiu que a empresa passasse a atender clientes de outras regiões. Hoje, cerca de 60% dos terrários vendidos têm destino fora do estado.
Mesmo com a expansão, a essência do negócio continua a mesma. Edu segue responsável pela criação artística das peças, enquanto Will cuida da gestão, do marketing e da estratégia digital.
“A gente ainda tem muitos lugares para alcançar. É só o começo”, afirma Will.
Estúdio Terrário
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