Dez doenças que podem acabar com o seu verão mais cedo
As doenças comuns no verão podem impactar sua saúde e bem-estar durante essa estação cheia de atividades ao ar livre. Com as altas temperaturas e a umidade, é essencial estar atento a essas condições e saber como preveni-las e tratá-las adequadamente.
*Dengue, chikungunya e zika:* Durante o verão, o aumento das chuvas e das temperaturas criam o ambiente ideal para a proliferação do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika. Nesse período, observamos os maiores picos de transmissão dessas doenças, que representam um importante problema de saúde pública no Brasil.
A contaminação ocorre pela picada do mosquito infectado. Após a infecção, os sintomas podem variar de quadros leves a formas mais graves. Segundo o cardiologista da Rede Meridional, André Bandrão, febre alta, dores no corpo e nas articulações, dor de cabeça, cansaço intenso e manchas na pele são sinais comuns. “Em alguns casos, especialmente na dengue, podem surgir complicações mais sérias, como queda de pressão, sangramentos e alterações cardiovasculares, exigindo avaliação médica imediata”, alerta Brandão.
Do ponto de vista cardiovascular, é importante reforçar que a desidratação, a febre persistente e a resposta inflamatória do organismo podem sobrecarregar o coração, principalmente em idosos, pacientes hipertensos, cardiopatas ou com outras doenças crônicas. Por isso, qualquer piora dos sintomas, dor no peito, tontura ou mal-estar importante deve ser prontamente investigado.
*Desidratação:* Durante o verão, a perda de líquidos pelo organismo aumenta de forma significativa em função do calor, da maior transpiração e da exposição prolongada ao sol. No entanto, muitas pessoas não percebem essa perda de água de maneira adequada e acabam evoluindo para quadros de desidratação, que podem trazer consequências importantes para a saúde — especialmente para o sistema cardiovascular.
O corpo humano adulto é composto por mais de 60% de água. Esse líquido é essencial para o transporte de oxigênio e nutrientes, o equilíbrio de sais minerais, o bom funcionamento dos rins e do intestino, além da regulação da temperatura corporal. Quando a ingestão de líquidos não acompanha a perda diária, o organismo entra em desequilíbrio.
Do ponto de vista do cardiologista, a desidratação merece atenção especial. A redução do volume de líquidos no corpo pode levar à queda da pressão arterial, aumento da frequência cardíaca, tonturas, cansaço e, em casos mais graves, sobrecarga do coração. Pessoas com doenças cardíacas, hipertensão, idosos e praticantes de atividade física têm risco ainda maior.
Segundo Brandão, para repor adequadamente a água perdida no verão é fundamental manter uma hidratação regular ao longo do dia, com consumo médio entre 1,5 e 2 litros de líquidos, como água, sucos naturais e outras bebidas saudáveis. Em situações de maior perda pelo suor — como durante a prática de exercícios físicos — não se perde apenas água, mas também sais minerais importantes, como sódio e potássio.
“Nesses casos, além da água, pode ser indicado o uso de bebidas isotônicas, especialmente para quem pratica atividade física, e da água de coco, uma opção natural e nutritiva que contribui para a reposição de eletrólitos. Manter uma hidratação adequada é uma medida simples, acessível e fundamental para preservar o bom funcionamento do coração e a saúde como um todo”, esclarece.
Insolação: A insolação ocorre quando há elevação excessiva da temperatura corporal, geralmente causada por exposição prolongada ao sol, calor intenso e alta umidade. Segundo o cardiologista da Rede Meridional, André Brandão, os sintomas podem variar de leves a graves. Nos quadros iniciais, são comuns dor de cabeça, fraqueza, tontura e sensação de calor intenso. Em situações mais graves, podem ocorrer confusão mental, perda da capacidade motora, desmaios e até convulsões, exigindo atendimento médico imediato.
A prevenção inclui evitar exposição solar excessiva, especialmente entre 10h e 16h, não praticar atividades físicas sob sol forte, manter hidratação adequada ao longo do dia e reconhecer precocemente os sinais de alerta.
O uso de protetor solar, chapéus ou bonés, roupas leves que cubram boa parte do corpo e o guarda-sol, principalmente na praia, também são medidas importantes para reduzir os riscos e aproveitar o verão com mais segurança.
Intoxicação alimentar: O calor intenso do verão favorece a rápida deterioração dos alimentos. Bactérias, vírus e parasitas encontram no clima quente condições ideais para se proliferar, especialmente em carnes cruas ou malcozidas, aves, ovos e alimentos mal refrigerados. No entanto, a contaminação pode se espalhar facilmente para outros alimentos quando não há cuidados adequados de armazenamento e higiene.
Ao se alimentar fora de casa, é fundamental observar a higiene do local, além do odor, da aparência e da forma de conservação dos alimentos. Em casa, manter os alimentos bem acondicionados, refrigerados e respeitar os prazos de validade são medidas básicas de prevenção.
Segundo o cardiologista da Rede Meridional, André Brandão, a intoxicação alimentar pode atingir pessoas de todas as idades. “Os sintomas mais comuns incluem náuseas, vômitos, diarreia e mal-estar, podendo persistir por vários dias ou até semanas. Evitar alimentos de procedência duvidosa é uma atitude simples que pode prevenir complicações e garantir um verão mais saudável”, lista.
Micoses: Causadas por fungos, que gostam de ambientes quentes e úmidos para se reproduzir, o problema é muito comum nessa época do ano. Pode atingir unhas, pele e até o couro cabeludo. As micoses podem ser superficiais, quando atingem apenas a camada externa da pele, ou profundas, quando se espalham pela corrente sanguínea.
*Segundo a dermatologista da Rede Meridional Juliana Lacerda* alguns cuidados são essenciais. “Enxugar bem o corpo após o banho, não pisar descalço em áreas públicas como vestiários e piscinas e não usar roupas, toalhas ou artigos pessoais, como esponjas, que estejam úmidos ou que sejam desconhecidos. O melhor é usar roupas e calçados leves, que não retêm suor, e evitar também o contato com água e sabão de forma prolongada, porque isso pode afetar a defesa natural do organismo”, pontua.
Queimaduras: A exposição sem proteção ao sol também pode provocar problemas na pele. *Segundo Juliana*, a recomendação é nunca sair de casa sem protetor solar, lavar bem as mãos e o rosto após contato com frutas cítricas e não passar perfume para ir à praia ou à piscina. “Ficar longe dos cítricos e de produtos que usem esse tipo de componente quando for se expor ao sol – ou, no caso de manipular as frutas, lavar muito bem a pele com sabonete”, para evitar que a pele manche.
*Brotoeja*
É preciso estar alerta para as doenças causadas pelo calor excessivo também no que compete à pele como o aparecimento das brotoejas. *Segundo Juliana*, essas irritações são causadas pelo bloqueio dos poros, por onde a pele elimina o suor. “Elas afetam especialmente os bebês, que além das pequenas feridas, podem sentir coceira e ardor. A prevenção, portanto, é evitar situações que provoquem mais calor e suor abundante. É bom deixar as crianças com roupas bem leves (ou, às vezes, sem roupa mesmo), como de algodão, tecido que “respira”. Os bebês precisam disso e de cuidado extra com o uso de fraldas – com maior frequência de trocas”, aconselha.
Conjuntivite: O tipo bacteriano é o mais corriqueiro durante a estação, pois é transmitido facilmente de uma pessoa para outra por meio da água do mar ou da piscina. A orientação é evitar mergulhar e abrir os olhos embaixo d’água, principalmente em lugares que não são próprios para banho, não compartilhar toalhas, não coçar os olhos e evitar contato direto com pessoas que já estão com a doença. A oftalmologista Liliana Nóbrega dá algumas dicas para evitar problemas na visão. “É importante lavar bem as mãos antes de ter contato com os olhos. Para quem usa lentes de contatos é importante evitar entrar com elas na piscina ou no mar, pois aumenta o risco de contágio de doenças”, afirma.
Otite: Depois de mergulhos no mar ou na piscina, o canal auditivo molhado facilita a entrada de bactérias e vírus causadores da doença. Para evitá-la, use protetores auriculares ao entrar na água ou seque a região com cotonetes assim que sair do mar ou da piscina.
*Leptospirose:* O contágio acontece pelo contato direto com a urina de animais infectados pela Leptospira ou pela exposição à água contaminada por essa bactéria. O número de casos aumenta durante as chuvas por conta das enchentes e inundações e o risco de contaminação permanece mesmo depois que o nível das águas baixa, já que a bactéria continua ativa nos resíduos úmidos por bastante tempo. Já para se proteger, evite o contato com águas oriundas de enchentes, lave bem os alimentos, principalmente frutas e verduras que serão consumidas cruas, vacine seus animais e mantenha limpos os recipientes em que são servidos seus alimentos e água e use luvas e botas de borracha se for trabalhar em ambientes que possam ser reservatórios da Leptospira.








