Dia Mundial Sem Tabaco acende alerta no ES sobre avanço do vape entre adolescentes

Com estética moderna e forte apelo nas redes sociais, cigarros eletrônicos avançam entre adolescentes e jovens adultos e preocupam especialistas pelos riscos respiratórios e pela dependência da nicotina

Coloridos, discretos, com cheiro adocicado e forte presença nas redes sociais, os cigarros eletrônicos deixaram de ser vistos apenas como uma alternativa ao cigarro tradicional e passaram a ocupar espaço no cotidiano de adolescentes, jovens e adultos. O avanço desse consumo motivou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a escolher como tema do Dia Mundial Sem Tabaco 2026 a campanha “Desmascarando o apelo – combatendo o vício em nicotina e tabaco”.

A proposta é justamente chamar atenção para a forma como a indústria vem remodelando produtos à base de nicotina para atrair uma nova geração de consumidores. No Espírito Santo, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) já publicou alertas oficiais sobre os riscos do vape entre jovens e reforçou que os dispositivos são proibidos no Brasil pela Anvisa.

Para a pneumologista Jéssica Polese, o maior desafio atualmente é combater a ideia de que o cigarro eletrônico seria inofensivo.”O vape foi transformado em um produto atrativo para os jovens. Tem aparência moderna, sabores agradáveis e um marketing muito forte nas redes sociais. Isso reduz a percepção de perigo, principalmente entre adolescentes”, afirma.
Segundo a OMS, pelo menos 15 milhões de adolescentes entre 13 e 15 anos já usam cigarros eletrônicos no mundo. Em países onde há levantamento sobre o tema, crianças têm até nove vezes mais chances de usar vape do que adultos.

No Brasil, dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), também apontam crescimento do uso de dispositivos eletrônicos para fumar entre jovens.

Jéssica explica que a nicotina presente nesses dispositivos continua sendo altamente viciante e pode trazer impactos importantes para a saúde respiratória e neurológica, especialmente quando o consumo começa cedo.”O cérebro do adolescente é mais vulnerável à dependência química. Quanto mais precoce é o contato com a nicotina, maior a chance de manutenção do vício na vida adulta”, alerta.

Além da dependência, a médica chama atenção para os efeitos respiratórios associados ao uso frequente dos dispositivos, como tosse persistente, irritação nas vias aéreas, chiado no peito, falta de ar e redução da capacidade pulmonar.

A Sesa também já alertou para o risco da EVALI, uma lesão pulmonar associada ao uso de cigarros eletrônicos que pode evoluir para quadros graves de insuficiência respiratória.

Apesar da proibição da comercialização no país desde 2009, os dispositivos seguem sendo vendidos informalmente e divulgados amplamente nas redes sociais, muitas vezes associados a estilo de vida, comportamento e status.”O grande problema é que existe uma tentativa de normalizar novamente o consumo da nicotina. A embalagem mudou, a linguagem mudou, mas os riscos continuam existindo”, afirma a pneumologista.

Hoje, o tratamento contra o tabagismo pelo SUS é ofertado em 63 municípios capixabas, com acompanhamento multiprofissional e suporte para pacientes que desejam abandonar a dependência.

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A portrait of a young female smoking in the street