Imóveis com apoio de dados vendem até quase sete vezes mais rápido em Vitória

Levantamento da Resos com empresas parceiras reúne 108 transações concluídas em prazo médio de 70 a 80 dias

O uso de dados tem ajudado corretores de imóveis de Vitória a reduzir o tempo das negociações. Um levantamento da plataforma capixaba Resos mostra que 108 transações realizadas por operações que utilizam o sistema foram concluídas em um prazo médio de 70 a 80 dias. O resultado representa um prazo até quase sete vezes menor que a média nacional. De acordo com dados da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), o tempo médio para concluir a venda de um imóvel no Brasil é de 16 meses, cerca de 480 dias.

O dado ajuda a transformar a atuação dos profissionais do setor. Se antes o conhecimento do mercado era construído principalmente pela experiência e pelas relações mantidas ao longo da carreira, hoje o corretor também pode construir históricos de negociações, comparar imóveis semelhantes, verificar áreas privativas e acessar plantas dos edifícios antes de orientar compradores e vendedores.

Para o fundador da Resos, Giuliano Martins, a tecnologia não substitui a experiência do corretor, mas a potencializa, dando sustentação técnica ao trabalho que ele já realiza.

“O corretor conhece o mercado, percebe o comportamento dos compradores e entende as particularidades de cada região. O dado permite comprovar essa percepção e apresentar uma análise mais consistente ao cliente, em vez de simplesmente pedir para ele acreditar no que o corretor está falando”, afirma.

Um dos principais impactos aparece na definição do preço. Quando o imóvel entra no mercado por um valor muito acima do praticado em unidades semelhantes, perde o período inicial em que é visto como novidade e tende a receber menos contatos qualificados, podendo permanecer anunciado durante meses ou até anos. Nesse intervalo, o proprietário adia seus planos e pode pagar mais caro caso pretenda vender para comprar outro imóvel melhor.

Outro comportamento que começa a mudar é a disposição dos corretores para trabalhar com imóveis anunciados fora da realidade do mercado. Antes, muitos profissionais aceitavam atuar mesmo nessas condições. Agora, passam a avaliar com mais cuidado esse tipo de captação, já que investem antecipadamente tempo, trabalho e dinheiro sob a expectativa de receber apenas quando a venda for concluída.

Celebrado em 27 de agosto, o Dia do Corretor de Imóveis chega em um momento no qual a profissão se torna cada vez mais técnica. Embora os consumidores tenham acesso a milhares de anúncios pela internet, Giuliano observa que o excesso de ofertas aumenta ainda mais a necessidade de orientação especializada.

“O cliente consegue encontrar um imóvel e levantar informações de mercado sozinho, mas não sabe avaliar se a metragem está correta, os atributos que pesam mais ou menos no preço e por que imóveis semelhantes podem ter preços tão diferentes. A informação está disponível, mas precisa ser interpretada por quem vive o mercado todos os dias. É justamente aí que o corretor ganha ainda mais importância”, conclui.

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