O Custo da Corrupção em Obras Públicas
O Custo da Corrupção em Obras Públicas é um problema sistêmico que drena o capital público, compromete o desenvolvimento nacional e mina a confiança nas instituições democráticas. Longe de ser apenas um desvio de fundos, a corrupção impõe uma série de perdas econômicas, sociais e de qualidade que afetam o cidadão de forma profunda, sendo o maior desafio de Fiscalização e Transparência que os governos enfrentam. O superfaturamento e o conluio são apenas a ponta do iceberg dos prejuízos.
As Múltiplas Dimensões do Prejuízo
O custo da corrupção pode ser classificado em três categorias interligadas:
- Custo Financeiro Direto (O Desvio de Capital): É o superfaturamento do orçamento, a propina paga a agentes públicos e o conluio (cartel) entre empresas para fixar preços em licitações. Esse custo eleva artificialmente o valor da obra, exigindo que o Estado gaste muito mais do que o valor de mercado (o chamado “sobrepreço”). O dinheiro desviado poderia ter sido investido em outras áreas sociais cruciais, representando um custo de oportunidade perdido.
- Custo de Qualidade e Durabilidade (O Prejuízo Técnico): A corrupção incentiva a economia ilícita na execução do projeto. Para pagar a propina ou aumentar o lucro indevido, a empresa usa materiais de qualidade inferior, ignora normas técnicas ou reduz o escopo de serviços. O resultado são obras que se deterioram rapidamente (rodovias que racham, pontes que necessitam de reforço), exigindo reparos prematuros e caros – um custo de manutenção que recai novamente sobre o contribuinte, multiplicando a perda inicial.
- Custo de Tempo e Oportunidade (O Atraso Social): As investigações, processos judiciais e paralisações decorrentes de denúncias de corrupção atrasam os projetos por anos, postergando o benefício social (a linha de metrô que não opera, a água tratada que não chega) e elevando o custo final devido à inflação e à manutenção de canteiros parados. O atraso em infraestrutura vital prejudica a produtividade e a competitividade do país.
O Custo Sistêmico e Social (A Erosão da Governança)
O impacto mais corrosivo é na governança e na alocação de recursos:
- Má Alocação de Recursos: A decisão de qual obra construir passa a ser guiada pelo potencial de propina, e não pela necessidade social ou pelo retorno econômico. Isso resulta na construção de “elefantes brancos” ou projetos desnecessários em detrimento de áreas prioritárias (saneamento, escolas), distorcendo as prioridades do Estado.
- Erosão da Confiança: A corrupção destrói a confiança do cidadão nas instituições democráticas e na capacidade do Estado de ser um agente eficiente de desenvolvimento, deslegitimando o sistema político e a arrecadação de impostos, o que dificulta o apoio público a futuros investimentos necessários. Obras
O combate exige o uso de tecnologia (BIM 5D para auditoria), o fortalecimento de órgãos de controle, a proteção de denunciantes e a transparência radical de todos os contratos e pagamentos, para que o custo real da corrupção seja exposto e punido.

Fonte: Izabelly Mendes




