O jogo duplo (ou triplo) de Kassab para 2026
O calendário pode ainda estar em 2025, mas Brasília já está com a cabeça em 2026. Nos bastidores, Gilberto Kassab tem trabalhado para articular o nome de Romeu Zema como vice na chapa de Flávio Bolsonaro.
A conversa teria avançado após um encontro em São Paulo. O pacote inclui ainda apoio à candidatura de Matheus Simões ao governo de Minas, o que pode enfraquecer Cleitinho, hoje o nome mais alinhado a Bolsonaro no estado.
Mas a jogada de mestre está aqui. Com esse arranjo, Kassab atua em três frentes ao mesmo tempo.
- Se aproxima da candidatura de Flávio Bolsonaro;
- Mantém apoio ao projeto presidencial de Eduardo Leite;
- E, ao mesmo tempo, preserva sua relação com Lula. O PSD, partido do qual é presidente, comanda três ministérios do governo federal (Agricultura, Minas e Energia e Pesca).
Na prática, o político tenta se fazer presente em todos os cenários possíveis do jogo eleitoral de 2026, minando suas chances de sair derrotado — e, consequentemente, enfraquecido.
Por que isso importa? Primeiro porque Kassab é um dos maiores negociadores da política brasileira. Pense nele como uma meio-campista do seu time: ele dita o ritmo e, por vezes, o resultado do jogo.
Além disso, o movimento pode indicar que o Centrão não está tão confiante como antes na desistência de Flávio ao Planalto.
E como fica Flávio nessa história?
Bom, ter Zema como vice pode ser um ótimo acordo. Com uma aprovação de 62%, o governador garantiria para o filho de Bolsonaro um palanque forte em Minas, o 2° maior colégio eleitoral do país.
- Além disso, Flávio poderia contar com o forte apoio de Tarcísio, em SP, e Castro, no Rio.
No fim, enquanto você está preocupado com os planos do final de ano e os objetivos de 2026, nossos políticos parecem só pensar no que vai rolar em outubro do ano que vem.

(Imagem: Marcelo Camargo | Agência Brasil)




