Peladas devem movimentar torcedores durante a Copa, mas exigem cuidados para evitar lesões
Ortopedista alerta para os principais riscos das partidas amadoras e orienta sobre como prevenir contusões que costumam aumentar em períodos de grandes competições esportivas
A cada grande competição de futebol, como a Copa do Mundo, cresce o número de pessoas que se animam a reunir os amigos para uma partida. Seja em campos, quadras, praias ou gramados improvisados, as tradicionais “peladas” se tornam mais frequentes. No entanto, junto com a paixão pelo esporte, também aumenta o risco de lesões, especialmente entre aqueles que passam longos períodos sem praticar atividades físicas regularmente.
Segundo o ortopedista da Rede Meridional, Ronaldo Roncetti, existe uma relação direta entre a visibilidade de uma modalidade esportiva e o aumento de praticantes ocasionais. “Via de regra, observamos um aumento em determinada prática esportiva quando ela está nos holofotes. Foi assim em outras Copas do Mundo e vemos atualmente também com o fenômeno João Fonseca no tênis. Esse aumento na modalidade certamente gera uma maior incidência de lesões esportivas específicas”, explica.
Muitos pacientes chegam aos consultórios e pronto-socorro após lesões ocorridas durante partidas recreativas. O problema é que, na empolgação, muitos ignoram a falta de preparo físico, deixam de realizar aquecimento adequado e até mesmo desconsideram condições pré-existentes que podem favorecer acidentes.
As lesões mais comuns incluem distensões musculares, contusões, entorses de tornozelo e lesões nos joelhos. Em casos mais graves, podem ocorrer lesões ligamentares e meniscais. “As lesões mais comuns certamente são as musculares e as contusões, passando para lesões mais complexas, como lesões ligamentares do joelho e tornozelo e lesões meniscais”, destaca o especialista.
O futebol é uma atividade que exige força, resistência, coordenação motora e condicionamento cardiovascular. Por isso, quem passa boa parte do tempo sedentário e decide participar de uma partida intensa fica mais vulnerável a lesões.
De acordo com o médico, a preparação física adequada acontece de forma gradual e deve incluir tanto condicionamento quanto fortalecimento muscular específico para a modalidade praticada.
“O preparo físico ocorre de maneira gradual com a prática da modalidade, além do condicionamento físico e fortalecimento de grupamentos musculares específicos para o esporte. O trabalho preventivo e, especialmente, o aquecimento muscular estão diretamente relacionados à proteção contra lesões”, afirma.
Além do condicionamento físico, fatores como o uso de calçados inadequados, a falta de hidratação e o excesso de competitividade também podem aumentar os riscos durante as partidas.
Para quem pretende entrar em campo durante a Copa, a recomendação é respeitar os próprios limites, realizar aquecimento antes do jogo e interromper a atividade diante de dores intensas ou qualquer sinal de lesão.
Alguns sintomas exigem atenção imediata e avaliação médica. Segundo Roncetti, incapacidade de apoiar o pé no chão ou caminhar, deformidades aparentes no membro lesionado e dor persistente são considerados sinais de alerta. “Disfunção como incapacidade de descarga de peso ou caminhar, deformidades no membro acometido ou dor persistente são sinais de alarme para avaliação ortopédica imediata”, alerta.
Com planejamento, preparo físico e cuidados simples, é possível aproveitar toda a emoção do futebol sem transformar a diversão em uma visita ao pronto-socorro.

Foto: Magnific/Divulgação






