Projeto Parque das Abelhas planta 1.300 mudas nativas no Assentamento Florestan Fernandes

Iniciativa da ONG REDI alia reflorestamento à meliponicultura para fortalecer a segurança hídrica da Bacia do Rio Itabapoana e gerar renda para mulheres agricultoras de Guaçuí (ES)

Uma nascente protegida, 2,53 hectares em processo de regeneração, 1.300 mudas no solo do Assentamento Florestan Fernandes, em Guaçuí (ES). Esses são os números do Parque das Abelhas, projeto da ONG REDI que une restauração da Mata Atlântica, meliponicultura e geração de renda para o Coletivo DasCamponesas, grupo formado por 15 mulheres agricultoras do assentamento.

O projeto é uma resposta a um cenário que os dados confirmam: a Bacia Hidrográfica do Rio Itabapoana está sob pressão crescente das mudanças climáticas. Já no cenário local, outro dado agrava essa situação: 57% da porção capixaba da Bacia Hidrográfica do Rio Itabapoana é coberta por pastagens degradadas (WWF Brasil).

“A baixa cobertura vegetal agrava tanto as secas quanto as enchentes. Quando o solo perde sua vegetação, ele perde também a capacidade de absorver a água da chuva e aí temos os dois extremos ao mesmo tempo”, explica a equipe da REDI.

A área escolhida para o reflorestamento é estratégica: situa-se em uma zona de recarga hídrica acima da agroindústria do Coletivo DasCamponesas, protege uma nascente que abastece a comunidade e conecta a reserva de topo de morro do assentamento à mata ciliar. 

Para garantir a sobrevivência das mudas, foram cavados 1.300 berços com correção de pH e nutrientes do solo, e construídos 361 metros de cerca com aceiro, uma faixa capinada ao redor da área que protege o reflorestamento do avanço de fogo e o pisoteio de animais vindo das pastagens vizinhas. Três mutirões voluntários reuniram moradores do assentamento e colaboradores da REDI para o plantio.

Abelhas nativas como aliadas da regeneração

Paralelo ao reflorestamento, o projeto produziu e distribuiu caixas para criação de abelhas nativas sem ferrão entre as famílias assentadas. A meliponicultura cumpre um duplo papel: as abelhas atuam como polinizadoras essenciais para a vegetação nativa e para as culturas agroecológicas do assentamento, enquanto a comercialização do mel produto de alto valor agregado, com características sensoriais únicas e propriedades medicinais reconhecidas abre uma nova fonte de renda sustentável para as mulheres do Coletivo DasCamponesas.

O coletivo já é referência regional: fundado em 2018, produz e comercializa polpas de frutas para a alimentação escolar de 11 municípios do sul do Espírito Santo. Com o Parque das Abelhas, o assentamento amplia sua atuação para a meliponicultura, fortalecendo ainda mais a cadeia produtiva local.

As famílias do Assentamento Florestan Fernandes são as beneficiárias diretas do projeto. Mas os efeitos da restauração hídrica alcançam muito além das cercas do assentamento, pois todos os habitantes da Bacia do Rio Itabapoana dependem, em alguma medida, da saúde dos mananciais que o projeto ajuda a proteger.

“A proposta é que essa área se consolide como o Parque das Abelhas: um polo de referência em meliponicultura e reflorestamento no Itabapoana, onde regeneração florestal e geração de renda caminham juntas”, afirma a REDI.

O projeto conta com o apoio financeiro do Fundo Casa Socioambiental. Todos os resultados estão documentados na página do projeto: www.reditabapoana.org/parque-das-abelhas

Sobre a REDI:

A REDI (Restauração e Ecodesenvolvimento da Bacia Hidrográfica do Rio Itabapoana) é uma ONG que atua pelo fortalecimento da biodiversidade, da cultura e da economia local com justiça socioambiental na Bacia do Itabapoana. Sede em Bom Jesus do Itabapoana (RJ) e filial em Bom Jesus do Norte (ES).

Contato para a imprensa:

E-mail: reditabapoana.ong@gmail.com
Instagram: @reditabapoana

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