Psicólogo escolar, professora de zumba: como vivia o casal preso em Portugal por tortura em clínica no Brasil

Marluci Cabrera Bellini Henares, de 49 anos, presa em Portugal após ser condenada por tortura em clínica de reabilitação no Brasil.
Reprodução/ Redes sociais
Condenados e presos por torturar pacientes de uma clínica de reabilitação para dependentes químicos em Ribeirão Preto (SP), Djalma Antônio Henares Júnior, de 56 anos, e Marluci Cabrera Bellini Henares, de 49, refizeram a vida durante os quase dez anos em que permaneceram em Portugal até entrarem para a lista de procurados da Interpol e de serem detidos pelas autoridades locais.
Os dois se separaram após irem juntos para a região autônoma dos Açores em fevereiro de 2017, segundo informações da imprensa portuguesa, mas permaneceram no país, onde criaram laços profissionais e pessoais.
Djalma seguiu como psicólogo em uma escola na região de Lisboa, se tornou membro efetivo da Ordem dos Psicólogos de Portugal, publicou livros de aconselhamento para jovens e também foi instrutor de jiu-jitsu. Advogada no Brasil, Marluci ficou conhecida por atuar como professora de zumba.
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Até então, Marluci e Djalma não eram considerados foragidos. A mudança para a Europa ocorreu de forma legal em 2017, logo no início da ação penal, uma vez que a Justiça brasileira havia negado pedidos de prisão preventiva feitos pelo Ministério Público na época.
A situação mudou em junho deste ano, após o trânsito em julgado da sentença que os condenou a 17 anos e seis meses de prisão em regime fechado.
Com a expedição dos mandados de prisão definitiva, os nomes de ambos foram incluídos na Difusão Vermelha da Interpol. Djalma foi detido no dia 9 de julho na Amadora, região de Lisboa, enquanto Marluci foi presa em 17 de julho na ilha de São Miguel, nos Açores.
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Eles respondem por crimes de tortura contra 24 ex-internos da clínica de reabilitação, que relataram agressões físicas com pedaços de madeira, castigos psicológicos, ingestão forçada de medicamentos e até violência sexual.
O Ministério Público de Ribeirão Preto formalizou o pedido de extradição para que cumpram a pena no Brasil.
Procuradas, as defesas de ambos informaram que não irão se manifestar sobre as prisões ou a condenação.
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Marluci: advogada e instrutora de zumba
Formada em Ribeirão Preto, Marluci Cabrera Bellini Henares possui registro ativo como advogada na seccional de São Paulo.
Ela se mudou com Djalma para Portugal logo após o início das investigações em 2014. Em território português, segundo registros do Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões, teve endereço em Parede, um distrito de Lisboa, mas viveu por anos na Ilha de São miguel, nos Açores.
Nessa região, ela se tornou uma figura “popular”, segundo informações do site português “Público” por como professora de zumba.
Marluci Cabrera Bellini Henares atuou como professora de zumba em Portugal antes de ser condenada e presa por tortura em clínica de reabilitação no Brasil.
Reprodução/ Redes sociais
Djalma: psicólogo, escritor e mestre de Jiu-Jitsu
Djalma Antônio Henares Júnior é psicólogo clínico e educacional, com registro ativo no Conselho Regional de Psicologia de São Paulo desde 2007.
Além da formação em psicologia e especializações em áreas como psiquiatria da infância e terapia cognitivo-comportamental, é professor de jiu-jitsu e, em 2019, se destacou em Portugal ao conquistar o primeiro lugar em um torneio internacional em Lisboa, representando o município do Nordeste, nos Açores, onde residia na época.
Condenado por tortura em clínica de reabilitação no Brasil, Djalma Henares atuou como psicólogo, escritor e instrutor de jiu-jitsu em Portugal.
Reprodução/ Redes sociais
Durante o período em que esteve em Portugal, Djalma também se dedicou à escrita, tendo publicado livros de aconselhamento e de temática espiritualista. Na comunidade escolar onde atuava, posts em redes sociais mostram que ele era visto como uma pessoa querida e respeitada.
Djalma já não era mais casado com Marluci e constituiu uma nova família em Portugal, de acordo com informações da imprensa daquele país.
Segundo o site “Observador”, a atual esposa ingressou com um pedido de asilo para o marido, em uma tentativa de impedir sua extradição para o Brasil, sob o argumento de seus laços familiares e integração na sociedade portuguesa.
Clínica de reabilitação de Ribeirão Preto denunciada em 2014 por tortura contra pacientes.
AcervoEP
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