Quedas na terceira idade podem comprometer mobilidade e autonomia

Envelhecimento da população brasileira aumenta a importância da prevenção e do cuidado com força muscular, equilíbrio e mobilidade

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil possui cerca de 36 milhões de pessoas com 60 anos ou mais. O crescimento da população idosa no país traz novos desafios para a saúde, e entre eles, estão as quedas entre os idosos, que podem parecer acidentes simples, mas representam um importante risco para este grupo.  

Segundo dados do Ministério da Saúde, o Sistema Único de Saúde registra mais de 300 mil atendimentos e cerca de 60 mil internações de idosos por quedas todos os anos.    

Com o avanço da idade, mudanças naturais do organismo podem aumentar a vulnerabilidade às quedas. A redução da força e da massa muscular, alterações no equilíbrio, diminuição dos reflexos e da mobilidade e problemas de saúde associados ao envelhecimento, como a (Osteoporose) estão entre os fatores que podem contribuir para esses acidentes.  

Para o ortopedista e traumatologista Eduardo Antônio Bertacchi Uvo, do Instituto Santa Mônica de Ortopedia e Traumatologia (ISMOT), é importante entender que a queda não deve ser encarada como algo inevitável da velhice.  

“A queda não é uma consequência normal do envelhecimento e deve sempre servir como um sinal de alerta. Muitas vezes, ela está relacionada à perda de força muscular, alterações do equilíbrio ou a alguma condição de saúde que precisa ser investigada. A prevenção é fundamental para preservar a mobilidade e a independência do idoso”, explica.  

Lesões frequentes  

Além do risco do próprio acidente, uma das principais preocupações está nas lesões provocadas pela queda. Entre elas, as fraturas de quadril merecem atenção especial. Segundo o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO), as fraturas de quadril estão entre as lesões mais frequentes após quedas em idosos e podem resultar em hospitalização e perda de autonomia.   

O especialista em cirurgia do quadril Bruno Barreira Campagnoli, do ISMOT, destaca que uma fratura nessa região pode representar uma mudança importante na rotina do paciente.  

“A fratura de quadril no idoso é uma situação que exige atenção porque pode comprometer significativamente a mobilidade. Quanto mais rápido o diagnóstico e o tratamento adequado, maiores são as possibilidades de recuperação. Por isso, não devemos minimizar uma queda, principalmente quando há dor, dificuldade para caminhar ou apoiar o peso sobre a perna”, alerta.  

Prevenção começa dentro de casa  

De acordo com o Ministério da Saúde, medidas simples podem ajudar a reduzir o risco de quedas, como melhorar a iluminação dos ambientes, retirar tapetes soltos e obstáculos do caminho, instalar barras de apoio em locais estratégicos e utilizar calçados adequados. O acompanhamento da saúde, incluindo avaliação da visão e revisão de medicamentos, também faz parte da prevenção.   

A prática de exercícios voltados ao fortalecimento muscular e ao equilíbrio também é apontada como uma importante estratégia preventiva (consulte um fisioterapeuta). O INTO recomenda atividade física e exercícios de força e equilíbrio para ajudar a reduzir o risco de quedas( o corpo clínico conta com uma equipe de fisioterapeutas especialistas na área) 

“Cuidar da musculatura, do equilíbrio e da mobilidade antes que aconteça uma queda é uma forma de preservar a independência do idoso. A prevenção deve começar antes do acidente, com acompanhamento médico e atividade física adequada para cada pessoa”, reforça Eduardo Uvo. 

Quedas na terceira idade podem comprometer mobilidade e autonomia

Dr Eduardo e Dr Bruno

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Christini Ziviani