Retatrutida ainda não é medicamento aprovado e especialista alerta para riscos de produtos clandestinos
Endocrinologista Gisele Lorenzoni explica por que a substância, apesar dos resultados promissores em estudos, ainda não deve ser usada fora de pesquisas clínicas
A retatrutida tem ganhado espaço nas redes sociais e despertado o interesse de pessoas que buscam novas alternativas para o tratamento da obesidade e do diabetes. Apesar dos resultados promissores apresentados em estudos clínicos, a substância ainda é experimental e não foi aprovada por nenhuma autoridade regulatória para uso pela população. A própria Anvisa alerta que a retatrutida ainda está em fase de testes e que o fabricante sequer solicitou o registro do medicamento à agência.
Desenvolvida pela Eli Lilly, a retatrutida é uma molécula de aplicação semanal que atua simultaneamente em três receptores hormonais: GIP, GLP-1 e glucagon. A substância está sendo avaliada em diferentes estudos de fase 3 para obesidade e diabetes tipo 2. Em 2026, estudos de fase 3 divulgados pela própria Lilly apresentaram resultados expressivos de redução de peso. No estudo TRIUMPH-1, por exemplo, participantes que receberam a dose de 12 mg tiveram redução média de 28,3% do peso corporal após 80 semanas. Os resultados, porém, fazem parte do processo de pesquisa e não significam que a substância esteja liberada para uso fora dos estudos clínicos.
Para a endocrinologista Gisele Lorenzoni, essa diferença é fundamental. “É importante separar aquilo que está sendo estudado daquilo que já foi aprovado para uso. A retatrutida é uma molécula que ainda está em pesquisa. Mesmo diante de resultados promissores, ainda precisamos da conclusão de todas as etapas necessárias para determinar sua segurança, eficácia, doses adequadas e possíveis riscos antes que ela possa chegar ao mercado”, explica.
Produtos vendidos pela internet são motivo de alerta
O interesse pela molécula também abriu espaço para a comercialização irregular de produtos anunciados como retatrutida. Segundo a Anvisa, produtos de origem desconhecida são oferecidos em sites irregulares e já foram apreendidos em ações de fiscalização. A agência alerta que, sem registro e sem o controle sanitário necessário, não há garantia de que o produto contenha realmente a substância anunciada, nem de que a quantidade ou a qualidade sejam adequadas.
“Quando uma pessoa compra uma substância que ainda está em fase de pesquisa e que é comercializada de forma clandestina, ela não tem a segurança de saber exatamente o que está recebendo, qual é a concentração, como aquele produto foi produzido ou armazenado e quais riscos pode oferecer. Não estamos falando apenas de um medicamento que ainda não foi aprovado, mas de um produto que está fora de todo o sistema de controle sanitário”, alerta Gisele.
A Anvisa reforça que o registro sanitário não é apenas uma autorização burocrática. O processo envolve avaliação de segurança, eficácia e qualidade, além do controle das condições de fabricação, das matérias-primas, dos lotes, do armazenamento e do acompanhamento de possíveis eventos adversos.
Embora os estudos com a retatrutida tenham mostrado resultados importantes na redução de peso, Gisele ressalta que os dados ainda fazem parte da pesquisa. “Um resultado de estudo clínico não deve ser confundido com uma indicação médica disponível para a população. O tratamento precisa ser feito com medicamentos que tenham aprovação para aquela finalidade e dentro de uma avaliação individualizada”, pondera a especialista.
A médica recomenda que pessoas interessadas em tratamentos para obesidade procurem orientação médica e não utilizem produtos adquiridos pela internet ou de procedência desconhecida. “A busca por uma solução rápida não pode colocar a saúde em segundo plano. Antes de iniciar qualquer tratamento, é fundamental conversar com um médico de confiança e utilizar somente medicamentos regularizados e indicados para aquele paciente”, orienta a endocrinologista Gisele Lorenzoni.
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Gisele Lorenzoni

Caneta emagrecedora- imagem ilustrativa.







