Sem plano, diretoria do Santos teme caos em ‘Dia D’ de Vojvoda
A diretoria do Santos se vê em uma enorme encruzilhada envolvendo o futuro de Juan Pablo Vojvoda. A partida contra o Internacional nesta quarta-feira, 18, às 21h30 (de Brasília), na Vila Belmiro, apontada por uma parcela dos torcedores como o “Dia D” para a sequência do trabalho realizado pelo treinador, pode não definir a situação do argentino mesmo em caso de tropeço.
Dentro do clube, ainda não há sequer um plano de ação em caso de um empate ou até de uma derrota diante do time gaúcho, o último colocado no Brasileirão. A continuidade do trabalho após os empates contra Mirassol e Corinthians foi e segue sendo bancada pelo presidente Marcelo Teixeira, mas não há mais convicção do que fazer.
A decisão do dirigente em manter Vojvoda enfrenta intensa resistência de seus pares e foi mantida, principalmente, pelo alto valor da multa rescisória, somado ao enfraquecimento da ideia de uma investida em Cuca como sucessor.
Teixeira recuou na possibilidade de trazer o técnico de 62 anos, que tem três passagens pela Vila Belmiro, temendo um a instauração de um caos e uma repercussão negativa semelhante à enfrentada pelo arquirrival Corinthians quando o contratou em abril de 2023.
Na ocasião, uma onda de manifestações de torcedores devido à condenação por violência sexual de Cuca e outros três atletas do Grêmio contra uma adolescente de 13 anos na Suíça, em 1987, fez com que o trabalho fosse abreviado em somente duas partidas. Ele entregou o cargo dizendo ter sido alvo de um “massacre”.
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Condenado à revelia e sem representação legal à época, Cuca voltou a treinar um time de futebol depois que o Tribunal Regional de Berna-Mittelland anulou a sentença inicial do caso, em janeiro de 2024. Passou por Athletico Paranaense no mesmo ano e trabalhou no Atlético Mineiro por oito meses em 2025. Desde então, falou algumas vezes sobre o assunto, dizendo não poder mais se recolher ou ficar calado porque “o silêncio soa como covardia”.
Vitória na Vila pode dar sobrevida ao técnico argentino no Santos – Raul Baretta/Santos FC
A situação envolvendo Vojvoda é tratada como de difícil reversão nos bastidores. Uma eventual quebra do vínculo forçaria o Santos a arcar com o pagamento integral do valor estipulado em contrato, válido até dezembro de 2026, estimado em R$ 11,7 milhões. O clube, contudo, sequer pagou a multa de um de seus antecessores: o português Pedro Caixinha, demitido em abril do último ano.
A Fifa já condenou o Peixe a indenizar o antigo treinador em 2,3 milhões de euros (R$ 14,4 milhões), além de multa de 5% ao ano desde a data da rescisão – formalizada em 14 de abril. O Peixe recorre na Corte Arbitral do Esporte (CAS)
Para piorar, cresce a pressão de integrantes da diretoria sobre o presidente diante das novas tentativas de ajustes do treinador. No empate por 1 a 1 no clássico contra o Corinthians, Vojvoda enviou a campo um time com três zagueiros – Luan Peres, Adonis Frías e Zé Ivaldo -, promoveu a estreia do volante Christian Oliva, deu chance ao jovem Gustavo Henrique e optou por Rony e Barreal como alas.
O auxiliar Gastón Liendo ainda ouviu gritos de “burro” no clássico por conta de uma substituição de Gabriel Barbosa, autor do gol do Santos na partida.
A tendência para o duelo contra o Inter é que o Peixe volte a mudar a sua formação, retornando ao esquema tradicional utilizado com quatro defensores – e não mais três zagueiros.
O Santos tem como principais esperanças as presenças de Neymar e do zagueiro Lucas Veríssimo, recém-contratado. Por outro lado, ainda não sabe se poderá contar com o meio-campista Gabriel Bontempo, que sofreu uma contratura muscular.
Corda-bamba
Vojvoda tem convivido com sombras de ameaças desde o início da temporada. Sob o seu comando em 2026, o time chegou a ficar sete partidas sem vencer, tendo o estopim de críticas após o empate por 1 a 1 com o São Paulo, na Vila Belmiro, pela segunda rodada do Brasileirão.
Uma vitória diante do Noroeste, em Bauru, e a classificação aos mata-matas do Paulistão, confirmada com uma goleada por 6 a 0 sobre o Velo Clube, esfriaram temporariamente a pressão, que voltou a crescer após a eliminação nas quartas de final para o Novorizontino – o time foi eliminado sofrendo um gol no último minuto da partida.
Gabigol marcou pelo Santos contra o Corinthians na Vila – Raul Baretta/Santos FC
Desde então, o Santos venceu o Vasco por 2 a 1, com atuação decisiva de Neymar, autor de dois gols, e empatou com o Mirassol e o Corinthians. Pesou contra o argentino a atuação contestada no interior paulista mesmo depois de 12 dias livres para trabalho.
Vojvoda já disse publicamente não se incomodar com a pressão no cargo e que conta com o apoio da diretoria. Também pediu em alguns momentos por paciência aos torcedores pelo processo de reconstrução vivido pelo clube.
Até o momento, o treinador argentino comandou o Santos em 33 partidas, com dez vitórias, 14 empates e nove derrotas, um aproveitamento de 44,4%, semelhante aos antecessores no cargo: Cleber Xavier (42,2%) e Pedro Caixinha (43,1%).
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Fonte Original: Placar




