Dia Mundial da Esclerose Múltipla alerta para importância do diagnóstico precoce e tratamento adequado

Doença neurológica pode causar alterações motoras, fadiga, perda de visão e dificuldades cognitivas; especialista reforça que reconhecer os sinais precocemente ajuda a controlar a progressão da doença

Celebrado em 30 de maio, o Dia Mundial da Esclerose Múltipla chama atenção para uma doença neurológica crônica que afeta o sistema nervoso central e pode comprometer movimentos, visão, equilíbrio e outras funções do organismo.

A condição ocorre quando o sistema imunológico passa a atacar a mielina, camada de uma gordura especial que protege os neurônios e auxilia na transmissão dos impulsos nervosos. Segundo a neurologista da Rede Meridional, Vanessa Loyola, a doença pode se manifestar de muitas formas diferentes; entre os pacientes e até mesmo no mesmo paciente, o que muitas vezes dificulta o reconhecimento dos sinais iniciais.  “A esclerose múltipla é classicamente definida como uma doença autoimune e inflamatória, atualmente também conhecemos um componente de neuro degeneração; que pode apresentar sintomas variados e frequentemente intermitentes. Se a pessoa tiver uma baixa visual, que melhora sozinha, e depois um formigamento na perna; dificilmente consegue relacionar ambos os sintomas.

Entre os sintomas mais comuns estão episódios de perda de força em alguma parte do corpo, fadiga intensa, visão borrada ou perda temporária da visão, formigamentos, dormências, alterações de equilíbrio, tonturas e dificuldades cognitivas, como falhas de memória e concentração. Em alguns casos, também podem ocorrer alterações urinárias e dificuldades motoras. De acordo com a especialista, muitas pessoas acabam demorando para procurar atendimento justamente porque os sintomas podem ser confundidos com outras condições neurológicas ou até mesmo com sinais de estresse e cansaço.

Embora a causa exata da esclerose múltipla ainda não seja totalmente conhecida, fatores genéticos e ambientais estão associados ao desenvolvimento da doença. Entre os principais fatores de risco estão predisposição genética, tabagismo, baixos níveis de vitamina D, infecções virais e alterações imunológicas. A doença costuma atingir principalmente mulheres entre 20 e 40 anos, mas pode ocorrer em diferentes faixas etárias.

Apesar de ainda não ter cura, a esclerose múltipla possui tratamentos capazes de controlar a atividade inflamatória, reduzir surtos e retardar a progressão da doença. O diagnóstico precoce é essencial para iniciar o tratamento rapidamente, controlar a progressão da doença e preservar a qualidade de vida do paciente”, explica. As abordagens incluem medicamentos específicos, fisioterapia, acompanhamento multidisciplinar e mudanças no estilo de vida. “Hoje existem terapias bastante eficazes, que permitem ao paciente manter independência, rotina produtiva e qualidade de vida por muitos anos. O mais importante é não ignorar os sintomas e manter acompanhamento especializado”, destaca Vanessa.

A neurologista orienta que qualquer alteração neurológica persistente ou recorrente deve ser investigada. Sintomas como perda de força, dormências frequentes, alterações visuais e dificuldades motoras sem causa aparente merecem avaliação médica. O diagnóstico costuma envolver avaliação clínica, exames de imagem, como ressonância magnética, e testes neurológicos específicos.

Embora não exista uma forma totalmente eficaz de prevenir a doença, hábitos saudáveis podem ajudar a reduzir fatores de risco e contribuir para a saúde neurológica. Não fumar, manter alimentação equilibrada, praticar atividade física, controlar os níveis de vitamina D com acompanhamento médico e reduzir o estresse estão entre as recomendações dos especialistas.

“Informação e diagnóstico precoce continuam sendo os maiores aliados no enfrentamento da esclerose múltipla. Quanto antes o paciente inicia o tratamento, maiores são as chances de preservar sua autonomia e qualidade de vida”, conclui Vanessa.

Dia Mundial da Esclerose Múltipla alerta para importância do diagnóstico precoce e tratamento adequado

Vanessa Loyola – Neurologista