Internação de Parreira reacende alerta para cuidados com a saúde pulmonar no inverno
Especialista explica por que sintomas respiratórios não devem ser ignorados e reforça a importância do diagnóstico precoce
A internação do ex-técnico da seleção brasileira Carlos Alberto Parreira por complicações pulmonares chamou a atenção para um tema que costuma ganhar destaque apenas quando a doença já está instalada. Em um período marcado pela queda das temperaturas e pelo aumento das infecções respiratórias, especialistas alertam que a saúde dos pulmões merece atenção contínua, especialmente entre idosos e pessoas com doenças crônicas.
No inverno, é comum que hospitais e consultórios registrem aumento na procura por atendimento relacionado a problemas respiratórios. Gripes, resfriados, pneumonias e agravamentos de doenças como asma e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) estão entre as ocorrências mais frequentes da estação.
Para a pneumologista e especialista em medicina do sono Jéssica Polese, o período exige atenção redobrada porque muitas pessoas já apresentam alguma redução da função pulmonar sem perceber. “Os pulmões têm uma capacidade muito grande de compensação. Muitas vezes a pessoa começa a sentir mais cansaço para caminhar, subir escadas ou realizar atividades simples e acredita que isso faz parte da idade ou da rotina. Em alguns casos, esse pode ser um dos primeiros sinais de que algo não está funcionando adequadamente”, explica.
A médica ressalta que sintomas persistentes não devem ser encarados como normais. Tosse que dura semanas, falta de ar, chiado no peito, produção frequente de secreção e infecções respiratórias repetidas merecem avaliação médica, principalmente em pessoas acima dos 60 anos.
Outro ponto destacado pela especialista é que a saúde pulmonar não está relacionada apenas ao tabagismo. Embora o cigarro continue sendo um dos principais fatores de risco para doenças respiratórias, ele não é o único. “Existe uma ideia de que apenas fumantes desenvolvem doenças pulmonares, mas isso não corresponde à realidade. Poluição, exposição ocupacional a poeiras e produtos químicos, infecções respiratórias anteriores e até algumas doenças autoimunes podem comprometer os pulmões ao longo da vida”, afirma.
Segundo Jéssica, o inverno também favorece a circulação de vírus respiratórios e a permanência em ambientes fechados, o que aumenta a transmissão de doenças e pode agravar quadros já existentes.
Por isso, medidas preventivas continuam sendo fundamentais. Manter a vacinação atualizada, evitar o tabagismo, praticar atividade física regularmente, manter os ambientes ventilados e procurar atendimento diante de sintomas persistentes estão entre as principais recomendações.
“A prevenção ainda é o melhor caminho. Quando conseguimos identificar alterações respiratórias precocemente, aumentamos as chances de controle da doença e reduzimos o risco de complicações que podem levar à hospitalização”, destaca.
A especialista lembra que o envelhecimento da população brasileira torna o tema cada vez mais relevante. Com o avanço da idade, os pulmões naturalmente perdem parte da sua capacidade funcional, tornando o acompanhamento médico ainda mais importante para preservar a qualidade de vida e a autonomia.
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