Dia Nacional do Diabetes: endocrinologista esclarece dúvidas sobre a doença e reforça a importância do diagnóstico precoce 

Condição afeta milhões de brasileiros e pode permanecer silenciosa por anos; especialista explica sintomas, tratamento e como manter qualidade de vida

O diabetes é uma das doenças crônicas mais comuns do mundo e representa um importante desafio para a saúde pública. No Brasil, de acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), estima-se que 20 milhões de pessoas convivam com essa condição, sendo que cerca de um terço delas sem sequer saber que possuem a doença, o que gera uma subnotificação. No Dia Nacional do Diabetes, celebrado em 26 de junho, especialistas alertam para a importância da informação, do diagnóstico precoce e da adesão ao tratamento para prevenir complicações e garantir qualidade de vida.

Caracterizado pelo aumento dos níveis de glicose no sangue, o diabetes ocorre quando o organismo não produz insulina suficiente ou não consegue utilizá-la adequadamente. A doença pode provocar danos em diversos órgãos quando não é controlada, afetando olhos, rins, coração, vasos sanguíneos e sistema nervoso. Segundo a SBC, o diabetes tipo 2 corresponde à grande maioria dos registros, atingindo cerca de 16,6 milhões de adultos.

Para a endocrinologista Gisele Lorenzoni, um dos maiores desafios ainda é combater a desinformação.”Muitas pessoas acreditam que o diabetes surge apenas por causa do consumo excessivo de açúcar ou que quem recebe o diagnóstico não poderá mais ter uma vida normal. Esses são mitos que podem dificultar tanto a prevenção quanto o tratamento adequado. Informação de qualidade é uma ferramenta fundamental para cuidar da saúde”, afirma.

Antes de mais nada, é preciso diferenciar os dois tipos do diabetes, que podem interferir na forma de perceber os sintomas e o modo de tratamento. No caso do diabetes tipo 1 existe uma produção insuficiente de insulina, tem origem autoimune, geralmente durante a infância ou adolescência, mas a causa e a prevenção são desconhecidas.

Já no diabetes tipo 2, que corresponde à maior parte dos casos, o organismo se torna resistente à ação da insulina, sendo necessário manter o nível de glicose no sangue controlado por meio da alimentação e/ou de medicamentos.

Gisele observa que é bastante comum que o diabetes tipo 2 seja descoberto durante exames de rotina. Por isso, especialmente pessoas com histórico familiar, sobrepeso, obesidade, hipertensão ou sedentarismo devem realizar acompanhamento médico periódico.

É importante ressaltar que embora o consumo excessivo de açúcar contribua para o ganho de peso e aumente fatores de risco, ele não é o único responsável pelo desenvolvimento da doença.
“O diabetes é uma condição multifatorial. Aspectos genéticos, excesso de peso, sedentarismo e fatores metabólicos têm papel importante no surgimento da doença, especialmente no diabetes tipo 2”, pondera a endocrinologista.

Como identificar os sinais do diabetes

Os sintomas podem variar de acordo com o tipo da doença e, em muitos casos, surgem de forma gradual. Entre os sinais mais comuns estão:

– Sede excessiva;
– Vontade frequente de urinar;
– Fome constante;
– Perda de peso sem explicação;
– Cansaço excessivo;
– Visão embaçada;
– Infecções recorrentes;
– Feridas que demoram para cicatrizar.

Tratamento exige acompanhamento contínuo

O tratamento do diabetes envolve uma combinação de medidas que incluem alimentação equilibrada, prática de atividades físicas, controle do peso, monitoramento da glicemia e uso de medicamentos quando necessário.

Gisele destaca que cada paciente possui necessidades específicas.”Não existe um tratamento único para todos. O acompanhamento individualizado permite definir metas e estratégias adequadas para cada realidade, aumentando as chances de sucesso no controle da doença”, salienta a médica.

Além disso, consultas regulares ajudam a monitorar possíveis complicações e ajustar o tratamento ao longo do tempo.

A médica alerta ainda, que embora o diabetes tipo 1 não possa ser prevenido, grande parte dos casos de diabetes tipo 2 está relacionada a fatores modificáveis.”A adoção de hábitos saudáveis como uma alimentação balanceada, prática de atividade física e evitar vícios como bebida e cigarro, podem reduzir significativamente o risco de desenvolvimento do diabetes tipo 2″, orienta.

A especialista explica que quanto mais cedo as alterações nos níveis de glicose são identificadas, maiores são as chances de evitar complicações futuras. “A prevenção e o diagnóstico precoce continuam sendo os maiores aliados da saúde”, conclui Gisele Lorenzoni.

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Dia Nacional do Diabetes: endocrinologista esclarece dúvidas sobre a doença e reforça a importância do diagnóstico precoce 

Gisele Lorenzoni.

Imagem ilustrativa – Diabetes