Junho Roxo alerta para o lipedema, condição que afeta milhões de mulheres e ainda é pouco diagnosticada
Especialista explica os sinais da doença, os impactos na saúde física e emocional e a importância do diagnóstico precoce
Dor, inchaço persistente, sensação de peso nas pernas e acúmulo desproporcional de gordura em regiões específicas do corpo. Embora esses sintomas sejam frequentemente associados ao excesso de peso ou ao sedentarismo, eles podem indicar uma condição crônica que ainda é pouco conhecida pela população: o lipedema.
Durante o Junho Roxo, mês dedicado à conscientização sobre a doença, especialistas reforçam a importância da informação e do diagnóstico precoce para melhorar a qualidade de vida das pacientes e evitar anos de sofrimento sem tratamento adequado.
De acordo com a endocrinologista Gisele Lorenzoni, o lipedema é uma doença crônica caracterizada pelo acúmulo anormal de tecido adiposo, principalmente nas pernas, quadris e, em alguns casos, nos braços. A condição afeta predominantemente mulheres e costuma estar relacionada a fatores hormonais e genéticos.
“O lipedema não é simplesmente uma questão estética ou de excesso de peso. Trata-se de uma doença reconhecida, que provoca sintomas físicos importantes e pode comprometer significativamente a qualidade de vida das pacientes. Muitas mulheres convivem durante anos com dor, desconforto e frustração sem compreender a verdadeira causa do problema”, pondera.
Um dos principais desafios é que a doença ainda é frequentemente confundida com obesidade ou retenção de líquidos, o que atrasa o diagnóstico e o início do tratamento adequado.
“É comum ouvir relatos de mulheres que passaram a vida inteira tentando emagrecer determinadas regiões do corpo sem sucesso. Mesmo com alimentação equilibrada, prática regular de exercícios e perda de peso, o volume das pernas continua desproporcional ao restante do corpo. Esse é um dos sinais que merecem investigação”, afirma Gisele.
Além do aumento de volume dos membros inferiores, o lipedema pode provocar dor ao toque, facilidade para o surgimento de hematomas, sensação constante de peso nas pernas, inchaço ao longo do dia e redução da mobilidade em casos mais avançados.
A especialista destaca que o impacto da doença vai além dos sintomas físicos. A autoestima e a saúde emocional também costumam ser afetadas, pois muitas pacientes enfrentam julgamentos e comentários inadequados em razão das alterações corporais serem interpretadas apenas como resultado de ganho de peso.
Embora não exista uma cura definitiva, o tratamento pode controlar os sintomas e retardar a progressão da doença. A abordagem costuma ser multidisciplinar e pode incluir reeducação alimentar, prática de atividade física, acompanhamento médico, fisioterapia especializada, drenagem linfática, uso de roupas compressivas e controle de doenças associadas.
“O tratamento deve ser individualizado. O objetivo não é apenas reduzir medidas, mas controlar a inflamação, melhorar a circulação, aliviar a dor e preservar a funcionalidade. Quanto mais cedo ocorrer o diagnóstico, melhores tendem a ser os resultados”, explica a endocrinologista.
A especialista também alerta para a importância de procurar avaliação médica ao perceber sinais persistentes.”Sentir dor nas pernas, apresentar hematomas frequentes ou notar uma desproporção corporal que não melhora mesmo com mudanças no estilo de vida não deve ser encarado como algo normal. Buscar orientação médica é o primeiro passo para identificar a causa e iniciar os cuidados adequados”, orienta.
Durante o Junho Roxo, a campanha busca justamente ampliar o conhecimento sobre a doença e estimular mais mulheres a procurarem ajuda especializada.
“Informação salva qualidade de vida. A conscientização é uma ferramenta fundamental para reduzir o subdiagnóstico e garantir acesso ao tratamento”, conclui Gisele Lorenzoni.
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Gisele Lorenzoni

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