“O ajuste fiscal é o alicerce e a base para políticas mais eficazes”, afirma economista Zeina Latif 

A afirmação da palestrante foi feita durante o Encontro da Indústria 2026, evento que homenageou importantes nomes que contribuíram para o fortalecimento da indústria capixaba 

“O ajuste fiscal é o alicerce e a base para políticas mais eficazes.” A afirmação da economista, professora, autora e palestrante brasileira Zeina Latif foi feita durante o Encontro da Indústria 2026.   

O evento, que celebrou e homenageou importantes nomes que contribuíram para o fortalecimento da indústria capixaba ao longo do último ano, foi realizado pela Federação das Indústrias do Espírito Santo (FINDES) e pelo Centro da Indústria do Espírito Santo (CINDES) no Dia da Indústria, 25 de maio, em Vitória. 

Empresários, lideranças e autoridades políticas presentes no Encontro ouviram com atenção a palestra de Zeina, que teve como tema o “O desafio da produtividade do Brasil”. Para além do roteiro, a economista detalhou o papel central da máquina pública e a necessidade de um Estado forte que cumpra suas funções básicas, mas que seja equilibrado por uma sociedade capaz de conter o avanço do gasto público. 

“A produtividade do trabalho no Brasil equivale a apenas 25% do patamar norte-americano”, alertou a economista, destacando que o desafio atual é acelerar reformas pró-crescimento para ampliar o mercado consumidor por meio desses ganhos.  

Ainda de acordo com Zeina, “a indústria é o setor que mais sofre com o chamado Custo-Brasil, enfrentando um contencioso tributário que alcança a marca de 75% do PIB nacional”. Segundo a economista, é fundamental que o regime fiscal propicie previsibilidade macroeconômica para reduzir a volatilidade da moeda e atrair investimentos de longo prazo. 

Zeina dividiu sua palestra no que chamou de pilares para o enfrentamento dos gargalos estruturais e as novas vantagens competitivas do país e do Estado.  

Confira os principais pontos abordados pela economista: 

Instituições e equilíbrio macroeconômico  

  • Rigidez orçamentária: Cerca de 95% dos gastos da União são obrigatórios, o que limita a capacidade de investimento em infraestrutura e capital humano; 
  • Previsibilidade e câmbio: A falta de uma âncora fiscal clara gera volatilidade cambial e juros elevados, prejudicando o planejamento empresarial; 
  • Exemplo capixaba: O Espírito Santo é visto como referência nacional pela continuidade administrativa, pela gestão responsável das contas públicas e pela nota A+ na CAPAG (Capacidade de Pagamento), selo máximo de excelência fiscal. 

Produtividade e capital humano 

  • Apagão de mão de obra: Apenas 4,5% dos jovens do ensino médio público possuem aprendizado adequado em matemática e português, dificultando a formação técnica necessária para a indústria; 
  • Insegurança jurídica: O Brasil possui o maior número de advogados por habitante no mundo e um sistema judicial com alta taxa de congestionamento, especialmente em execuções fiscais; 
  • Desafio demográfico: A população em idade ativa começará a encolher em 2036, tornando o uso de tecnologias e o ganho de produtividade urgentes para evitar a estagnação da economia. 

Oportunidades e futuro da indústria 

  • Reforma do IVA: O novo modelo tributário promete extinguir a cumulatividade e o resíduo tributário, beneficiando cadeias industriais longas e isentando exportações e investimentos; 
  • Integração Global: O país pode se beneficiar do acordo Mercosul-União Europeia e da nova dinâmica da China, que foca cada vez mais em inteligência artificial e alta tecnologia; 
  • Vantagens do ES: O Estado está bem posicionado para liderar na transição verde (energia limpa e crédito de carbono) e na exploração de minérios críticos e terras raras, aproveitando sua vocação logística e portuária.  

Por Anderson Barollo 

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