Panelaço, apagões e revolta em Cuba
Clima de tensão. Nesse final de semana, manifestantes invadiram a sede do Partido Comunista na cidade de Morón, a cerca de 460 km de Havana.
- Vídeos como esse publicados nas redes sociais mostram manifestantes queimando documentos e móveis do governo nas ruas.
O que está acontecendo
Nos últimos dias, os protestos têm se espalhado pelo país na forma de “cacerolazos” — quando moradores batem panelas nas ruas ou dentro de casa para demonstrar revolta. O famoso panelaço a que nos habituamos a ver por aqui.
A revolta tem dois principais motivos: apagões constantes e falta de alimentos. Em algumas regiões da ilha, a energia chega a ficar mais de 15 horas sem luz, enquanto produtos básicos simplesmente desaparecem das prateleiras.
Além das sanções americanas e da forte queda no turismo, a crise na região tem se intensificado desde que os EUA bloquearam o envio de petróleo venezuelano ao país, afetando diretamente serviços essenciais como eletricidade e transporte.
O cenário se agravou tanto que o governo cubano já admite algo impensável até pouco tempo atrás: abrir diálogo com Washington.
- Na última sexta-feira, o próprio presidente Miguel Díaz-Canel confirmou que conversas com os EUA já começaram.
A tese de reaproximação entre Cuba e os americanos ganhou ainda mais fôlego nos últimos dias, quando Raúl Guillermo Rodríguez Castro, sobrinho-neto de Fidel Castro, apareceu ao lado do presidente cubano poucas semanas depois de surgirem relatos de que ele estaria envolvido em negociações com os EUA sobre o futuro da ilha.
Stat: Atualmente, quase 90% da população cubana vive na extrema pobreza, enquanto 3 em cada 4 famílias vivem com uma renda abaixo de R$ 350.

(Imagem: Reuters)




