Poluição da Água e o Papel do Saneamento

A poluição da Água é o resultado direto da falha em gerir adequadamente os efluentes humanos e industriais, sendo o principal obstáculo para a saúde ambiental e a segurança hídrica. Nesse contexto, o Saneamento Básico não é apenas uma infraestrutura social, mas a ferramenta de mitigação mais poderosa para proteger os corpos d’água – rios, lagos, oceanos e aquíferos – contra a contaminação. O saneamento é a ponte entre a saúde pública e a ecologia urbana.

A Contaminação e seus Efeitos

A ausência de esgotamento sanitário (coleta e tratamento) e de um sistema eficiente de manejo de resíduos sólidos é a causa primária da poluição hídrica nas áreas urbanas:

  1. Carga Orgânica e Eutrofização: O esgoto não tratado é rico em matéria orgânica, nitrogênio e fósforo. Quando despejado diretamente em um rio, ele consome o oxigênio dissolvido na água (necessário para a vida aquática), causando a morte de peixes e a proliferação descontrolada de algas (eutrofização), que degradam a qualidade da água, tornando-a imprópria para o uso e a recreação.
  2. Agentes Patogênicos: A contaminação por microrganismos patogênicos (vírus, bactérias e parasitas de origem fecal) torna a água de mananciais e a água subterrânea perigosa para o consumo, exigindo investimentos muito mais caros e complexos em tratamento ou forçando o abastecimento a buscar fontes cada vez mais distantes.
  3. Resíduos Sólidos Flutuantes: A falta de coleta de lixo e a drenagem deficiente causam o acúmulo de plásticos e detritos nos rios, que migram para os oceanos, causando danos maciços à vida marinha e à saúde humana (através da ingestão de microplásticos).

O Papel Transformador do Tratamento

O investimento em saneamento completo (da coleta ao tratamento avançado) reverter esse processo:

  • Despoluição de Mananciais: A instalação de Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) remove a carga orgânica e os nutrientes, permitindo que os rios se autodepuram e recuperem a sua vida aquática. Projetos de despoluição de rios (como o do Tâmisa em Londres ou o Rio Tietê em São Paulo) mostram que a infraestrutura de saneamento é capaz de reverter décadas de degradação ambiental.
  • Água de Reuso e Sustentabilidade: O tratamento avançado (terciário) permite que o efluente seja transformado em Água de Reuso de alta qualidade. Isso alivia a pressão sobre os mananciais de água potável, permitindo que a água “nova” seja conservada para o consumo humano, enquanto o reuso serve para a indústria, irrigação ou limpeza urbana.
  • Proteção do Aquífero: A correta destinação do esgoto, através de redes coletoras, protege o lençol freático e os aquíferos, que são reservas estratégicas de água potável e subterrânea. Obras

O saneamento é, portanto, a política de conservação hídrica mais eficiente. É um investimento que paga dividendos tanto para a saúde humana quanto para a sustentabilidade do meio ambiente.

Poluição da Água e o Papel do Saneamento

Fonte: Izabelly Mendes.