Uruguai em crise: o que explica decadência de Nacional e Peñarol


A eliminação do Nacional para o Tigre, na fase de playoffs da Copa Sul-Americana, encerrou a participação dos dois maiores times do Uruguai nas competições continentais de 2026. Los Bolsos agora se juntam na decepção ao Peñarol, que terminou a fase de grupos da Libertadores na última colocação de sua chave.
Assim, restou ao país apenas um representante vivo nos torneios da Conmebol. O Montevideo City Torque, que já estava classificado diretamente às oitavas de final da Sul-Americana por ter liderado seu grupo, agora enfrentará justamente o Tigre.

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Tigre ???????? 1️⃣ – 2️⃣ #Nacional
⚽ Maximiliano Gómez
⚽️ Maximiliano Silvera#VivirALoNacional | @Sudamericana pic.twitter.com/mMwq8X5Hpa
— Nacional (@Nacional) July 28, 2026

O fato é mais um choque para “Los Grandes”, que, durante décadas, fizeram com que falar de futebol uruguaio no cenário internacional fosse sinônimo de falar de Nacional e Peñarol. Juntos, os dois clubes conquistaram oito Copas Libertadores e seis Copas Intercontinentais, dominaram o futebol do país e transformaram Montevidéu em uma das capitais do esporte.
O contraste é evidente. O único clube uruguaio que permanece vivo em uma competição continental foi fundado apenas em 2007. Desde 2017, pertence ao City Football Group, conglomerado controlado majoritariamente pelo Abu Dhabi United Group e responsável também por clubes como Manchester City e Bahia.
Quando os gigantes deixaram de ser protagonistas
Embora seja precipitado afirmar que o futebol uruguaio vive uma queda definitiva, a temporada de 2026 coloca em xeque a situação da dupla mais tradicional do país. Afinal, Nacional e Peñarol perderam capacidade de competir?
Os Carboneros, por outro lado, ainda conseguiram produzir duas campanhas expressivas no período. Em 2011, a equipe chegou à final da Libertadores, quando foi derrotada pelo Santos de Neymar.
Neymar do Santos comemorando o título de campeão da Libertadores de 2011, diante do Peñarol, no Pacaembu – Alexandre Battibugli/PLACAR
Treze anos depois, em 2024, voltou a surpreender o continente ao eliminar o Flamengo nas quartas de final e alcançar a semifinal, na qual foi superado pelo Botafogo. Pentacampeão da América, o Peñarol conquistou sua última edição de Libertadores em 1987 (as outras foram em 1960, 1961, 1966 e 1982).
O Nacional, contudo, amarga calvário ainda maior. A última semifinal de Libertadores do clube foi em 2009. Desde então, a melhor campanha ocorreu em 2022, quando alcançou as quartas de final antes de ser eliminado pelo Athletico Paranaense.
O Nacional é tricampeão da Libertadores. Os títulos foram conquistados em 1971, 1980 e 1988.
Assim, entre 1960 e 1988, Los Grandes disputaram juntos 15 finais de Libertadores e conquistaram oito títulos. Durante quase três décadas, era raro uma edição da competição terminar sem ao menos um uruguaio entre os protagonistas. Hoje, campanhas como a semifinal do Peñarol em 2024 são tratadas como exceções.
A seleção também perdeu força
Todavia, mesmo com 38 anos sem uma glória de um clube na Libertadores, o desempenho da Celeste impedia que a perda de força dos clubes fosse vista como um problema do futebol uruguaio. Apesar do último título de Copa do Mundo ter sido em 1950, a seleção seguia competitiva.
O Uruguai terminou a Copa do Mundo de 2010 em quarto lugar, chegou às quartas de final em 2018, conquistou a Copa América de 2011 e ainda foi semifinalista da Copa América de 2024.
Uruguai, de Valverde, foi eliminado na primeira fase – Divulgação/AUF
O cenário mudou recentemente. A Celeste caiu ainda na fase de grupos das Copas do Mundo de 2022 e 2026 — nesta última, sem vencer uma partida. Pela primeira vez em muitos anos, clubes e seleção encerraram um mesmo ciclo internacional cercados por dúvidas.
E a geração campeã?
Em 2023, o Uruguai conquistou pela primeira vez a Copa do Mundo Sub-20, derrotando a Itália na final. A campanha poderia ter dado início a uma nova geração para a seleção principal.
Ainda assim, a equipe campeã pouco teve participação dos dois gigantes. O capitão Fabricio Díaz e o atacante Luciano Rodríguez foram revelados pelo Liverpool de Montevidéu. Sebastián Boselli, Alan Matturro e Anderson Duarte surgiram no Defensor Sporting. Mateo Ponte e Franco González foram formados pelo Danubio.
Campeão em 2023, Luciano Rodriguez ficou fora da seleção uruguaia pra Copa do Mundo – Divulgação / AUF
Entre os principais nomes do elenco campeão, apenas Randall Rodríguez e Damián García pertenciam ao Peñarol. O Nacional teve ainda menos protagonismo, com Rodrigo Chagas, que ganhou espaço durante o torneio, sendo o principal nome entre os convocados.
Porém, poucos meses depois do título, boa parte desses jogadores já havia deixado o Uruguai. Entre os 21 campeões, apenas cinco atuam no país, com dois deles em Los Grandes. Franco González, camisa 10 da conquista, é reserva no Peñarol, e Juan de Los Santos, titular da Celeste Sub-20 em 2023, não é unanimidade no Nacional.
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Fonte Original: Placar