Bancários podem estar perdendo direitos por erros no enquadramento de jornada, alerta especialista 

Horas extras e cargos de confiança seguem entre as principais causas de ações trabalhistas no setor

O setor bancário figura entre os que mais registram ações trabalhistas no país, com destaque para discussões envolvendo horas extras e enquadramento de cargos de confiança. No ‘ranking das partes’ da Justiça do Trabalho referente a março de 2026, entre as 10 empresas, cinco são instituições financeiras.

De acordo com o advogado trabalhista Caio Vairo, sócio do escritório Ferreira Borges Advogados, um dos principais pontos de atenção está na jornada de trabalho dos bancários. “A jornada padrão da categoria é de seis horas diárias, podendo chegar a oito horas nos casos de efetivo exercício de cargo de confiança, conforme previsto na CLT”, explica.

Segundo o especialista, nem sempre esse enquadramento ocorre de forma correta na prática. “Quando não há caracterização válida do cargo de confiança, a sétima e a oitava horas devem ser consideradas extras, com adicional mínimo de 50%. Esse é um direito que, muitas vezes, passa despercebido pelo trabalhador”, reforça o advogado.

Dúvidas

Outro ponto que exige atenção é a composição da remuneração. Além do salário base, os bancários recebem benefícios previstos em convenções coletivas, como participação nos lucros e resultados (PLR) e auxílios. “A natureza dessas verbas pode variar conforme a forma de concessão e a norma coletiva aplicável, o que impacta diretamente no cálculo de direitos trabalhistas”, afirma.

Além das questões financeiras, o ambiente de trabalho também aparece como fator relevante. A pressão por metas e resultados, característica do setor, pode ultrapassar limites legais e configurar situações de assédio moral. “O trabalhador tem direito a um ambiente saudável, livre de constrangimentos e cobranças  abusivas”, destaca.

Dados do Ministério da Previdência Social indicam que os afastamentos por transtornos mentais cresceram mais de 158% entre 2021 e 2024, cenário que também acende um alerta para a saúde ocupacional em atividades de alta exigência, como a bancária.

Bancários podem estar perdendo direitos por erros no enquadramento de jornada, alerta especialista 

bank-employees-working-teller-counters.

Caio Vairo

Christini Ziviani

Vero Comunicação